Outro dia conversando com uma amiga, falávamos sobre impressões sobre o ano que, diga-se, já está terminando. Pra mim, 2017 foi dos melhores dos últimos tempos. Tive perdas, ganhos, dores, amores, conquistas, aprendizados, decepções, alegrias, enfim, todos os ingredientes de um sopão, como é a nossa vida mesmo e como acontece todos os anos. E foi dos melhores por que, então? Talvez porque coloquei o sentido do aprendizado em todas as coisas, as boas, as ruins, as péssimas. Daí, não tem tempo ruim. Tudo o que vier é matéria prima para aprender.

Mas voltando à minha amiga, ela comparou seu ano de 2017 com uma viagem monótona, em que todo mundo dorme no carro, a música tá chata e não passa nem quebra mola pra animar a coisa naquele retão sem fim. Claro, que ela frisou que, pelo menos, não teve acidente no percurso, mas a coisa estava chata demais.

Bem, a direção está na sua mão, não está? Se nada acontece no percurso e você está cansado da ‘semgracesa’ do ano, então, dê um cavalinho de pau – certifique-se de não acertar em ninguém – e mude o rumo dessa monotonia já. Não precisa esperar o fim do ano para iniciar um novo jeito de viver, não é necessário que a mudança implique projetos de vulto, muito dinheiro, reviravoltas complicadas. Às vezes, o ‘devorteio’ é uma coisa simples, bastando apenas que você tenha vontade de mudar.

O que a gente pode mudar no cotidiano sem muita complicação? Mude o trajeto que faz todo dia de casa para o trabalho, por exemplo. Quem sabe você descobre alguma coisa muito interessante no caminho! Mude seu horário de tomar banho. Mude o cardápio do café da manhã, troque o disco da vitrola e ouça uma música que nunca ouviu antes. Entre na sorveteria em que você nunca foi antes e peça um sabor que nunca experimentou. Saia do Facebook e abra um livro de um autor nunca lido. Aprenda alguma coisa nova, que nunca imaginou que poderia aprender. Supere-se em alguma dificuldade, seja ela do tamanho que for. Um passinho pra frente, por menor que seja, já é um passinho pra frente.

Depois de experimentar algo novo, pare e perceba que sensação isso te causou. Seja ela qual for – mesmo que ruim – agradeça porque foi um aprendizado que certamente valerá para os próximos tempos de sua vida, dure ela quanto durar.

É nessas pequenas horinhas – a do café da manhã ou a da hora do banho – que a gente vive. E em cada minuto desse, você pode por uma graça, deixar de fazer mecanicamente e prestar atenção plenamente naqueles minutos. Saborear a manteiga ou a água escorrendo pelo corpo. Preste atenção! Sinta! A viagem ficará mais gostosa, tenha certeza disso.

E ao fim de cada dia, antes de dormir, faça silêncio. Silencie a mente barulhenta, sinta novamente o dia. Perceba o que foi bom, o nem tanto, o ruim. Apenas sinta. Deixe o pensamento dormir, dê um refresco para a cabeça, só sinta!

E continue a viagem!

Célia Rennó
Jornalista, autora de 4 títulos da coleção Ludo Ludens, da Editora do Brasil, e gosta de pensar, falar e escrever sobre o comportamento humano e suas idiossincrasias. Trabalha com Educomunicação há alguns anos e nunca se aquieta. Está sempre inventando um jeito de se comunicar!

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