Montgomery, estado norte-americano do Alabama. No primeiro dia de dezembro de 1955, a costureira negra Rosa Parks entrou em um ônibus após um dia de trabalho e sentou-se no banco da frente, proibido aos negros. Esse foi o começo da luta pela igualdade perante a lei para todas as camadas da população, independente de raça, religião, condição social, de identidade e igualdade sexual. Uma luta que nunca mais saiu de cena.

O documentário I Am Not Your Negro (Eu Não Sou Seu Negro), dirigido por Raoul Peck e indicado ao Oscar de Melhor Documentário, em 2016, revela a importância e a vitalidade das ideias do escritor e ativista americano James Baldwin. O roteiro, baseado no seu manuscrito Remember This House, traduz as memórias do autor relacionadas a três líderes da causa dos Direitos Civis, Medgar Evers, Malcolm X e Martin Luther King Jr.
O filme se concentra em imagens que percorrem uma história de preconceito, abuso e violência – anúncios, noticiários, filmes e fotografias -, nos discursos e declarações de Baldwin, registrados em vídeo durante palestras e entrevistas, e em textos do autor lidos por Samuel L. Jackson.

O escritor James Baldwin

Quem assistir ao documentário vai evidenciar a eloquência de Baldwin na defesa da igualdade. As ideias do escritor tentam conciliar vertentes opostas do ativismo negro e expõe ingredientes históricos, sociais, políticos, culturais e religiosos para denunciar a analisar atitudes da chamada maioria branca.

Baldwin faz uma análise convincente do trauma que os negros viveram na América do século XX. Primeiro, eles eram levados a se identificar com heróis brancos e a cultura de Hollywood, para logo depois se depararem com uma realidade muito mais dura e pouco promissora.
Negro e gay, Baldwin era também um dos escritores mais afiados de sua geração, cujas ações e opiniões eram profundamente influenciadas pela forma como o movimento negro via o preconceito em relação aos homossexuais e sua resistência para encarar também essa realidade.

Negro em luta pelos seus direitos

O documentário é um ponto de partida para a discussão de questões atuais e expõe ideias importantes, relacionadas ao ativismo. Ele é uma reflexão sobre as responsabilidades de uma nação com seus cidadãos. Em 93 minutos de filme, todas as contradições e horrores do racismo e do preconceito são postas em cheque.

I Am Not Your Negro tem sessões nesta quarta-feira, dia 12 de Abril, em São Paulo, nas salas Circuito Spcine Olido, às 15h, e no
Centro Cultural São Paulo, as 17h45, com legendas em português.

Por ser um documentário, as chances são poucas desse filme chegar a um número grande de pessoas, mas tente assistí-lo na primeira oportunidade,

Ronaldo CooperNasceu em Porto Alegre, é jornalista, roteirista, fotógrafo e editor do blog VisualZine.
visualzine.blogspot.com.br

 

2 COMENTÁRIOS

  1. Um filme super importante na defesa de direitos, assim como também para lidar com os traumas causados pelo racismo.
    Muito bom saber que existem pessoas sensíveis a esta questão trazendo isto como post.

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