Há linhas de pensamento que defendem que os animais são seres menos evoluídos que nós humanos. Eu não me atrevo a acreditar nisso. Sei pouco sobre a evolução, os degraus que temos que subir para chegar não sei onde. Como dizia Guimarães Rosa, de nada não sei, mas desconfio de muita coisa. E uma das coisas das quais desconfio é que esses bichinhos são muito, mas muito mais evoluídos que nós.

Vejo cavalos puxando carroças pesadas. Na minha cidade, tem uma até que é uma carroça de som. O pobre cavalinho é obrigado a puxar pessoas ao som de um funk qualquer numa altura ensurdecedora para racionais e irracionais. Quem parece ser irracional numa cena dessas?

Olho para a cara do cavalo, vejo aquela subserviência humilde e imagino que ele esteja pensando assim: pobres coitados, um dia eles entenderão o que estão fazendo, um dia encontrarão a verdade.

Da mesma forma vejo os cães, talvez os mais próximos de nosso cotidiano, que parecem ter um amor incondicional, uma cumplicidade daquelas que os humanos deveriam ter entre si. Sem julgamento. Devíamos nos aproximar das pessoas sem interesse, sem querer nada em troca, sem perguntas que ninguém devia fazer, sem nadica de nada que pudesse nos envergonhar.

A alegria com que seu cão te recebe em casa deveria ser a de todo mundo que vive com a gente. Todo mundo devia vir abanando o rabo para você. O olhar do cão – que um dia a canção Diana, do extinto grupo vocal Boca Livre arriscou dizer que parecia conhecer dor milenar – é de uma pureza sem par. É uma doçura comovente.

Há aqueles que dizem que os cães adoecem por nós, nos livram de coisas que a gente não pode nem imaginar. Não duvido. Como disse lá atrás, de nada não sei, mas desconfio de muita coisa. Penso que eles nos protegem sim. Sem muita viagem, pelo menos da solidão ninguém pode duvidar de que eles nos protegem sim.

Mas viajando um pouco mais, também desconfio de que eles nos encontrarão em outro plano quando formos para lá. Eu adoraria que isso fosse verdade. Desconfio também que eles têm asas invisíveis, que fingem ser quadrúpedes, mas são anjos que alguém enviou para ficar perto de nós.

Os gatos, ah os gatos já são mais arredios – se eu tiver enganada, que os gatinhos me perdoem. Não tenho intimidade com esses bichanos, mas conheço gentes e mais gentes completamente apaixonadas por eles. Os filhotinhos então, alguém duvida que tenham as asas invisíveis?

Concordo com aquele que disse que não se deve confiar em quem não gosta de animais e plantas. Radical o pensamento? Desconfio que não. Olhando a minha volta, ao meu pequeno círculo, acho que quem disse isso está coberto de razão.

Todo mundo deveria ser amigo de um animal. Quem puder adotar crianças, que o faça. Quem puder ajudar alguém da família que precisa ou um desconhecido, que também o façam. Mas que, além disso, também, adote um animal. Se não tiver estrutura em casa, adote um na rua mesmo ou num canil. O mundo ficará melhor assim!

Célia Rennó
Jornalista, autora de 4 títulos da coleção Ludo Ludens, da Editora do Brasil, e gosta de pensar, falar e escrever sobre o comportamento humano e suas idiossincrasias. Trabalha com Educomunicação há alguns anos e nunca se aquieta. Está sempre inventando um jeito de se comunicar!

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3 COMENTÁRIOS

  1. Excelente artigo! Já visitei o seu blog outras vezes, porém nunca
    tinha escrito um comentário. Pus seu blog
    nos meus favoritos para que eu não perca nenhuma atualização.
    Grande abraço!

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