Confesso que tenho tido pouca inspiração para escrever. Tanto que deixei de enviar meu texto por algumas semanas. Queridos leitores, perdoem-me. Saco vazio não pára em pé, não é mesmo?

Mas o que isso tem a ver? Por acaso, eu não ando comendo? Virgem Santa, muito pelo contrário! Natal e Ano Novo são uma comilança sem fim. A balança acusa e a gente morre de culpa. Começa o ano cheia de vergonha de si mesma de ter sido tão gulosa.

Mas voltando ao saco vazio, é assim que tenho me sentido e talvez por isso tenha faltado matéria prima para escrever, esperança. Ando com preguiça de esperança. E tenho encontrado muita gente sofrendo do mesmo mal. É mesmo um mal. A falta de esperança nos definha, tira o brilho dos olhos, o frio na barriga. Não é coisa de Deus.

Mas e por que tem faltado a esperança na minha mesa? Pode ser pelo excesso de notícias ruins vindas de todo o mundo, pela guerra de ideias (ou melhor, falta de ideias) que assistimos nas redes sociais. Pode ser, inclusive, pelo excesso de tempo em redes sociais. Pode ser desesperança de ver as arbitrariedades cometidas pelos ‘poderosos’, pela ameaça de retrocesso em nosso grande e diverso país. Pode ser!

Mas pensando bem, é nessas horas difíceis que temos que ter ainda mais esperança, até porque a falta dela em nada resolve as situações. Pelo contrário, faz as coisas piorarem dentro de nós. Temos que tirar esperança de onde der. Uma das formas de se conseguir é, com certeza, a dedicação de tempo às coisas espirituais.

Independente de religião, nos ligar à força criadora do universo, meditar, ler coisas que elevem a alma, assistir filmes inspiradores, conhecer – mesmo que pela Internet – experiências de outras pessoas que mudaram o seu mundo e, por tabela, todo o mundo… enfim, isso tudo talvez recarregue nosso tanque de esperanças.

O tempo que gastamos hoje em frente a um computador ou no celular, escorregando a tela para ver não sei o quê, pode ser melhor aproveitado. Há bons documentários na Internet, que mostram modos de vida tão diferente do nosso, mostram gente fazendo o bem para a natureza, gente dando show de bola de cidadania.

O repositório de esperanças está cheio, lotado de coisas para serem acessadas, é só querer. Fora da Internet, ao nosso alcance, nas cidades em que vivemos, também há um milhão de coisas a serem compartilhadas que podem nos devolver a esperança.

Ajudar o próximo, por exemplo, talvez seja a número 1 do ranking de ‘reposição de esperança’. E próximo é o que não falta em todo lugar.

Eita, já estou me sentindo melhor. Nível de esperança subindo.
Graças!

Célia Rennó
Jornalista, autora de 4 títulos da coleção Ludo Ludens, da Editora do Brasil, e gosta de pensar, falar e escrever sobre o comportamento humano e suas idiossincrasias. Trabalha com Educomunicação há alguns anos e nunca se aquieta. Está sempre inventando um jeito de se comunicar!

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