Dança dos Tupinambás – 1592 – Theodore de Bry

A designação “índio” é um engano cometido por Cristovão Colombo. Com a intenção de encontrar um novo caminho para o subcontinente indiano, rico em especiarias, o navegador desembarcou em um novo continente, que mais tarde recebeu o nome de América. Os povos que habitavam as novas terras receberam então esta denominação.

Mulher Tupinambá com criança – 1641-44 – Albert Eckhout

Quando Pedro Álvares Cabral chegou, centenas de nações viviam aqui há milhares de anos, adaptadas a uma natureza rica, bela e também violenta. Os nativos falavam mais de 180 línguas e contribuíram com cerca de 20 mil palavras no português falado no Brasil. Habitantes de matas, florestas, cerrados, pampas e pantanais, com uma cultura cheia de crenças e mitos, em um primeiro momento, receberam o branco com curiosidade e de forma pacífica.

Uma cena da Floresta Brasileira – 1840 – H. Albert

Imaginem o impacto e as consequências deste encontro. Foi ao mesmo tempo um momento de encantamento e destruição. A resistência foi breve. Depois de provocar o fracasso do plano de ocupação das capitanias, nos séculos seguintes, os nativos brasileiros foram explorados como força de trabalho, espoliados, subjugados e expulsos de seus territórios, mortos por enfrentamentos, massacres e doenças.

Jovem Indígena – Jean-Baptiste Debret

Assim, terra não foi mais pisada pelos pés, nem ouviu mais os cantos de Aimorés, Tupinambás, Caetés, Carijós, Goitacases, Tabajaras, Temiminós, Tupiniquins, Canindés, Cariris, Charruas, Omáguas, Potiguares, Tamoios, Tucujus, Avá-Canoeiros, Bororos, Tremembés, entre muitos outros. Que perde imensa de culturas e tradições. Das mais de 1.470 etnias originais, restam agora 215, que somam 358 mil indivíduos.

Menino Índio de Mato Grosso – 1880 – Marc Ferrez

Não podemos afirmar que o nativo é igual e que possua uma cultura unificada. As diversas etnias apresentam diferenças sensíveis relacionadas ao modo de vida, crenças, cultura e língua e todas devem ser consideradas uma fonte de conhecimento.

Xingu – c.1953 – Henri-Ballot – Acervo Instituto Moreira Salles

Durante séculos, cada povo desenvolveu modos próprios de compreender e de se relacionar com o mundo. Esta compreensão se expressa em tradições religiosas, artesanatos, músicas, hábitos sociais e festejos ricos em diversidade. Animais, plantas e a própria Terra e seus elementos formaram um sentimento religioso onde a natureza é divina que se torna cada essencial para o homem compreender a importância da preservação do planeta. Uma visão da vida que é preciso respeitar.

MAUREEN BISILLIAT Sariruá após a Festa do Javari, c.1975 Parque Indígena do Xingu, MT Acervo Instituto Moreira Salles

Um clipe da música “Demarcação Já”, composta por Carlos Rennó e Chico César, foi lançado em defesa dos direitos dos povos indígenas à terra e à preservação da natureza. A canção manifesto é uma homenagem de vários artistas. Participam do clipe Gilberto Gil, Arnaldo Antunes, Tetê Espíndola, Elza Soares, Letícia Sabatella, Nando Reis, Chico César, Zeca Baleiro, Margareth Menezes, Djuena Tikuna, Maria Bethânia, Jaques Morelenbaum, Zélia Duncan, Felipe Cordeiro, Dona Onete, Lenine, Céu, Zeca Pagodinho, Ney Matogrosso, Marilu Miranda, Lira, Zé Celso Martinez Correia, Criolo, Russo Passapusso e Edgar Scandurra.

Ronaldo Cooper
Nasceu em Porto Alegre, é jornalista, roteirista, fotógrafo e editor do blog VisualZine.
visualzine.blogspot.com.br

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