Nosso dia costuma ser muito corrido, pelo menos o de 99% das pessoas que conheço. A gente acorda, toma café correndo, sai de casa para trabalhar ou ir ao supermercado, volta, corre, come, toma banho, fica no Facebook, passa da hora, levanta do sofá, corre para cuidar de alguma coisa…. Ufa, a gente corre o dia inteiro mesmo. Passeio só no feriadão – quando a gente não tira esses dias para fazer o que não coube nos dias corridos – no fim de semana, quando se tem dinheiro para passear em lugar que não tem lazer de graça, enfim, passeio consome uma minoria do nosso tempo.

Mas será que a gente não consegue mudar a programação e, em vez de correr de um lugar pro outro, passear de um lugar pro outro? O que mais vejo é gente de testa franzida andando pela rua porque, certamente, está pensando no que tem que fazer quando chegar ao lugar para onde está indo. Seria melhor ver pessoas andando de um lugar para o outro, mas olhando para o céu, para a árvore que está no meio da rua, para a nuvem – claro que com atenção no trânsito – olhando para as pessoas que cruzam na calçada. Certamente que a testa desfranziria.

A gente podia mudar até o jeito de se referir a estas situações: – vou passear na padaria e volto já. Vou dar uma passeada no supermercado. Estou passeando para o trabalho e, no caminho, vou respirar fundo, sentir o ar, o ventinho, o sol ou a chuva e agradecer por esse momento.

Aposto que muita coisa mudaria em nossa energia, no semblante, no dia. Passeando para o trabalho, a gente pode descobrir coisas que a gente nunca viu. A fachada de uma casa linda, que a gente não tinha reparado, um animal que fica no jardim de outra casa, um Flamboyan no canteiro, um grafite num muro de escola, uma casa antiga cheia de história. Coisas que estão no nosso caminho há anos, mas que não nos chamaram a atenção porque estávamos com a testa franzida correndo pra lá e pra cá.

Quando o passeio é de carro e o trajeto é em uma cidade em que o trânsito não anda, como São Paulo, por exemplo, sei que tudo fica mais difícil, que parece história pra boi dormir esse papo de ‘aproveitar o trajeto pra passear’. Mas quando a espera e o congestionamento são inevitáveis, o que fazer? Dentro do carro, ouvir uma boa música é sempre bom, faz bem para a alma. Além da música, observe a paisagem ao redor, seja ela qual for. Mire veja todos os elementos que sua atenção puder captar – sem se descuidar do trânsito, para a hora que começar a andar de novo. Pode ser pouca coisa, mas seja quanto for, terá valido seu dia.

Passeie! E o happy hour pode ser a qualquer hora do dia, não só quando a obrigação acaba. Qualquer horinha do dia pode ser feliz, quem aciona o botão do happy ou unhappy somos nós!

Célia Rennó
Jornalista, autora de 4 títulos da coleção Ludo Ludens, da Editora do Brasil, e gosta de pensar, falar e escrever sobre o comportamento humano e suas idiossincrasias. Trabalha com Educomunicação há alguns anos e nunca se aquieta. Está sempre inventando um jeito de se comunicar!

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