Ao acordar já estamos atrasados, almoçamos pensando no trabalho, trabalhamos pensando no que vamos fazer no fim de semana e jantamos dispersos em questionamentos futuros. Parece natural, mas não é.

Quando pensamos muito, sentimos pouco. A equação é inquestionável.

Sem perceber, queremos que o dia acabe, que a semana seja curta e que logo sejam as férias. E o tempo corre e, ao invés de estarmos de mãos dadas com ele, saímos correndo atrás.

Nessa maratona insana, o tempo passa, a velhice chega e, quando nos damos conta, passamos pela vida sem olhar para ela.

Pois é… para mudar isso é preciso uma atitude drástica. Olhar para o que se está fazendo naquele exato minuto com atenção, dizer e perguntar como uma criança, ou seja, com curiosidade nata.

Resultado, vida com cores, cheiros e histórias.

Agora, concordo que fazer uso desse recurso de volta ao natural é difícil. Por algum motivo, vamos sendo treinados para acoplar mais e mais tarefas na agenda diária e o que mais fazemos é cair na cama aliviados, pois enfim chegou a hora de descansar.

Talvez seja por isso que muita gente não consegue dormir ou acorda como se tivesse travado uma guerra invisível durante o sono. Para muitos, bastaria calar a mente. É como se fizéssemos uma tarefa extenuante continuamente. A mente não para ou não descansa.

O que cansa não são somente as tarefas do dia a dia, mas a perda de energia com coisas sem importância. Temos que deixar de querer agradar tanto aos outros, de sermos perfeitos, de cumprir o script de outro roteirista, que não foi contratado para fazer o filme da sua vida.

Pois agora, ao ler esse texto, reveja as tarefas do seu dia e só faça o que precisar, colocando no meio, o que desejar. APOSTO, que vai ser um dia bem bacana e irá dormir com um sorrisinho no canto da boca, lembrando de respirar, beijar alguém, fazer uma ligação carinhosa, preparar uma comidinha saborosa ou imaginar o dia seguinte bem mais legal do que o de hoje, colocando a vida em primeiro lugar.

Senão vira música Ouro de Tolo, que começa a ecoar…

“Eu devia estar contente porque eu tenho um emprego
Sou o dito cidadão respeitável e ganho quatro mil cruzeiros por mês
Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso na vida como artista
Eu devia estar feliz porque consegui comprar um Corcel 73
Eu devia estar alegre e satisfeito por morar em Ipanema
Depois de ter passado fome por dois anos
Aqui na cidade maravilhosa
Eu devia estar sorrindo e orgulhoso por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada e um tanto quanto perigosa

Eu devia estar contente por ter conseguido tudo o que eu quis
Mas confesso, abestalhado, que eu estou decepcionado
Por que foi tão fácil conseguir e agora eu me pergunto: e daí?
Eu tenho uma porção de coisas grandes pra conquistar
E eu não posso ficar aí parado

Eu devia estar feliz pelo Senhor ter me concedido o domingo
Pra ir com a família no jardim zoológico dar pipocas aos macacos
Ah, mas que sujeito chato sou eu que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro, jornal, tobogã, eu acho tudo isso um saco

É você olhar no espelho, se sentir um grandessíssimo idiota
Saber que é humano, ridículo, limitado
E que só usa 10% de sua cabeça animal
E você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial
Que está contribuindo com sua parte
Para nosso belo quadro social

Eu é que não me sento no trono de um apartamento
Com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar
Porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais
No cume calmo do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora de um disco voador”.

Carla Brandão
Comunicadora por opção. Jornalista por profissão. Especialista em desenvolvimento humano por vocação. Pensamentos transformadores, evolução e treinamento. Visão divertida sobre automotivação, administração do tempo, melhoria contínua e inovação. Palestrante com foco na transformação da vida em uma fonte de aprendizado e felicidade!
email: carla@acommunica.com.br

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA