Sorte é uma coisa que sempre me encucou. O que ela é? Por que tem gente que tem e outros não? Na verdade, refiro-me àquela sorte miúda, que faz a gente ganhar no bingo, ser sorteado entre alguns milhares para ganhar uma viagem, coisas desse tipo. A sorte grande mesmo a gente tem todo dia, quando abre o olho de manhã e respira, quando o coração bate, um filho nasce. Ah, isso sim que é a sorte grande, muito maior que a do ganhador solitário da Mega Sena milionária.

Mas aqui, vou me ater àquela miudinha – a de ganhar frango assado no bingo da igreja. Cheguei a pensar que quem é otimista, vê sempre o lado bom das coisas, não é reclamão, esse atrairia a boa sorte. E que, por outro lado, aquele que instala uma nuvem negra no alto da cabeça como um guarda chuva de má sorte seria o azarado. Mas não é o que eu vejo por aí. Tem gente reclamona e dramática, que espera sempre o pior em tudo, mas que é sortudo à beça. No bingo, ele sempre ganha pelo menos uma rodada. Se compra rifa, ganha, se está concorrendo com um cupom no supermercado, vira e mexe ganha também.

E o que dizer daqueles otimistas, que vêem sempre o lado bom, que têm uma compreensão infinita de todas as coisas, mas que é azarado pra caramba? Esse coleciona cartelas não ganhas, números nunca sorteados, rifas sem esperanças de vitória.

Por que será? Aposto que você, que está lendo isso, conhece gente desses dois tipos. O ranheta sortudo e o felizinho azarado. Por que, por que, por que? Faço essa pergunta há anos. De uns tempos para cá ando chegando perto de uma resposta que me satisfaz. Veja se concorda comigo: o tal do pessimista, que teoricamente deveria ser azarado, acredita e sente a sorte dele. Espalha para todo mundo que é sortudo. – Ah, se vai jogar comigo, se prepara pra perder porque eu sou danado de sortudo!

Ele sabe, sente, propaga sua sorte. Isso, lembrando, apesar de ser pessimista com outras coisas da vida. E o contrário é também assim. O felizinho sente e sabe que é azarado e também espalha pra todo mundo. – Ah, eu não ganho nem frango em quermesse, não tenho sorte com essas coisas.

Taí. Essa pode ser a chave da resposta: tem sorte quem pensa e sabe que tem, mas principalmente, quem sente que tem. É como se a sorte precisasse desse combustível para se retroalimentar. Quanto mais sente, mais sorte tem. Tanto que quem costuma ganhar nesses eventos de sorte, ganha sempre, nao pára na primeira. E o contrário, idem: tem azar quem pensa e sabe que tem, mas principalmente, quem sente que tem. E quanto mais sente o azar, mais ele se instala.

Transportando essa coisa para a vida, a gente pode arriscar de dizer que, quando se pensa, sabe e se sente alguma coisa, ela se torna real. É claro que seria infantil achar que só isso basta para que a realidade se criasse. Sabemos que não é assim. Mas acredito cada dia mais que nossa vibração e o sentimento verdadeiro fazem as coisas acontecer porque vão nos encaminhando na direção de realizar. Portanto, cuidemos dos pensamentos e sentimentos, para que sua força magnética atraia só o que é bom.

Célia Rennó
Jornalista, autora de 4 títulos da coleção Ludo Ludens, da Editora do Brasil, e gosta de pensar, falar e escrever sobre o comportamento humano e suas idiossincrasias. Trabalha com Educomunicação há alguns anos e nunca se aquieta. Está sempre inventando um jeito de se comunicar!

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