OS SIGNOS NA MITOLOGIA

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Áries na Mitologia:
O espírito pioneiro do primeiro signo de Fogo é refletido por Amon, o deus egípcio com cabeça de Áries, criador de todos os outros deuses. A natureza combativa e heroica de Áries é representada na história do Velocino de Ouro, o tesouro procurado pelo herói grego Jasão e seus Argonautas. No próprio Jasão, figura valente, inspirada e por vezes temerária, podemos reconhecer tanto as melhores quanto as piores qualidades de Áries.

 

 

 

 

Touro na mitologia:
O deus grego Poséidon, senhor dos terremotos, era cultuado na forma de um gigantesco touro negro. Vivia nas profundezas da terra e sacudia o solo quando, furioso, batia os cascos. Os touros também figuram como a ruína dos heróis em muitos mitos. Cabe citar o Minotauro, com cabeça de touro e corpo humano. Nesse mito, as forças brutas da natureza são vistas como inimigas da vontade heroica. Um símbolo das compulsões instintivas e das paixões humanas primitivas, que podem corroer a capacidade de dirigirmos a vida.

De acordo com a lenda, Buda nasceu sob o signo de Touro e a imagem da domesticação desse animal figura em muitos contos budistas. Portanto, Touro incorpora tanto o poder criativo da terra quanto o eterno desafio dos instintos para a vontade e o espírito humano.

Gêmeos na mitologia:
Os gêmeos aparecem nos mitos de várias culturas antigas. Na mitologia Grega, os gêmeos Castor e Pólux parecem idênticos, mas o último era o filho divino de Zeus, enquanto o outro era o filho mortal de Tíndaro, rei de Espanha. Quanto Castor foi morto, Pólux chorou amargamente, mas não podia segui-lo até o reino dos mortos. Zeus, tendo piedade, deu alternativas para que pudessem experimentar as alturas espirituais e as profundezas mortais, mas eles nunca poderiam estar juntos. Assim, os gêmeos foram separados pelas distâncias entre os céus e a terra.

Outros gêmeos míticos, como Rômulo e Remo, também foram separados pela distância entre o bem e o mal. Na mitologia romana, os filhos de Marte foram amamentados por uma loba. Quando cresceram, Remo planejou matar seu irmão, mas Rômulo matou-o em legítima defesa e foi aclamado como o fundador de Roma.

Câncer na mitologia:
Os gregos consideravam o Caranguejo como uma criatura da deusa Hera, guardiã da família e do lar. Essa deusa protegia quem respeitava os laços do matrimônio, mas era ciumenta. Uma inimiga implacável dos filhos ilegítimos de Zeus. Quando Hércules, um dos filhos ilícitos de Zeus, estava lutando com a Hidra, ela enviou o caranguejo para morder o pé do herói e distraí-lo durante a luta. Com sua pinça poderosa, o caranguejo agarrou o calcanhar de Hércules e nada podia arrancá-lo dali. Hércules venceu a Hidra, mas mesmo assim, Hera colocou o crustáceo no céu em gratidão à sua lealdade. Hera e seu caranguejo simbolizam a estabilidade doméstica e a preservação dos laços familiares.

No Egito, o escaravelho é associado a este segmento no zodíaco. Como o besouro põe seus ovos numa bola de esterco que empurra até que as larvas eclodam, os egípcios o viam como símbolo de uma nova vida. Associaram o signo com o mistério da fonte espiritual da vida e com a lealdade emocional aos valores do passado.

Leão na mitologia:
O Leão tem muitas faces na mitologia, que vão desde a mais nobre e régia, até a mais vingativa, violenta e selvagem. No Egito, a deusa de cabeça de leão, Sekhmer, conhecida como Olho de Rá, simbolizava o conhecimento do futuro. Mas também a ira terrível do deus solar quando sua vontade era desrespeitada. A fúria do leão frustrado se reflete nessa deusa antiga. Um signo que pode produzir uma grande visão, mas também um grande orgulho e teimosia.

O leão de Neméia, que Hércules enfrentou, também é um símbolo da intensidade leonina que se for irreprimida, pode passar por cima de qualquer um ou qualquer coisa que estiver em seu caminho. No entanto, depois da batalha, Hércules vestiu a pele do leão, sugerindo que absorveu sua imensa força e criatividade. A grande deusa de Anatólia, Cibele, era retratada ao lado de um par de leões, simbolizando sua potência criativa. Mesmo em suas versões mais primitivas e selvagens, o leão é sempre nobre. Possui uma magnanimidade que o eleva acima das dimensões mesquinhas da natureza humana.

Virgem na mitologia:
As deusas virgens da mitologia não eram virgens no sentido sexual. A palavra latina “virgo” significa solteira, ou “dona do próprio nariz”. A autossuficiência fazia com que as deusas evitassem o papel de esposa. Senhora de si mesma, a deusa virgem vivia de acordo com sua própria vontade. Por exemplo, a deusa Astreia, conhecida como a defensora da justiça e das leis naturais, além de presidir os ciclos da natureza. Ofendida pela crueldade, arrogância e grosseria da raça humana, ela abandonou a Terra e se recolheu na abóboda celeste.

A deusa virgem da natureza é um símbolo antigo da integridade inviolável da própria terra. Apesar da abusiva violação dos recursos naturais pelo homem, a Terra (Gaia) preserva seus mistérios, seu poder e sua capacidade de renovação.

Libra na Mitologia:
A imagem da Libra ou do equilíbrio é encontrada na deusa egípcia Maat, guardiã da justiça, que pesava a alma dos mortos comparando seu peso com o de uma pena, para determinar até que ponto estavam leves. Na mitologia grega, o equilíbrio está associado a Atena, a deusa da sabedoria. Essa figura feminina com os olhos vendados passou a representar a justiça em muitos tribunais.

O ideal de um julgamento justo e objetivo surge no mito de Orestes, que matou a mãe por ordens de Apolo. Orestes foi caçado pelas Fúrias, as antigas deusas da vingança. Atena, opondo-se à retaliação selvagem e cega, coloca o caso de Orestes diante do primeiro júri humano. Depois de longas discussões e de uma votação, o júri considerou Orestes inocente. Assim, pela primeira vez na mitologia, é um grupo de seres humanos e não um rei ou um deus que determina o que é certo e é errado. A Libra, o único objeto inanimado da icnografia do zodíaco, simboliza a imparcialidade, o entendimento objetivo e equilibrado dos outros e da vida.

Escorpião na Mitologia:
O Escorpião da mitologia grega é uma criatura ameaçadora, enviada pela deusa lunar Artemis para matar o caçador Órion, em punição pelo seu orgulho. Isso também assustou os cavalos de Apolo, que dispararam e galoparam loucamente através dos céus. Justo quando o inexperiente filho de Apolo, Fácton, tentava comandar o carro solar. A Terra foi queimada e Fácton foi arremessado em direção à morte.

Na Mesopotâmia, Escorpião era conhecido como o Aguilhoador: o símbolo que anuncia o declínio do poder do Sol no outono. Está ligado aos poderes da natureza, que se enfurece quando é violada pela arrogância dos homens. Tanto Órion quanto Fácton foram acusados do que os gregos chamam de “hubris” – o orgulho que acomete as almas heroicas, faz com que elas ultrapassem os limites e desafiem a vontade dos deuses.

Embora retratado no mito com uma criatura perigosa, o Escorpião apenas reflete a vingança da natureza indignada. A justiça inflexível que aguarda aqueles a quem falta humildade. Até o mais forte tem de se curvar à lei da mortalidade humana.

Sagitário na Mitologia:
Está associado ao centauro mítico, cujas origens remontam à Babilônia e que se reflete na figura de Quíron no panteão dos deuses gregos. A dualidade do centauro se mostra na natureza contraditória do signo: tem tanto o vigor e o poder do cavalo, quanto a visão inspiradora do espírito humano.

O nome Sagitário vem do latim, sagitta, que significa flecha. A flecha do centauro. Voando a um alvo distante, é uma imagem de sua busca pela verdade, por um entendimento maior e mais elevado. Metade animal e metade divindade, o centauro personifica o paradoxo dos seres humanos, cujos instintos potencialmente destrutivos devem ser norteados por uma visão de mundo que reconhece os valores mais sagrados. A seta de Sagitário no céu aponta diretamente para o coração de Escorpião, indicando que a visão expandida do centauro pode iluminar as paixões mais sombrias.

Capricórnio na Mitologia:
Uma cabra chamada Amalteia amamentou Zeus quando bebê. Ao se tornar o soberano, ele colocou os chifres dela – a Cornucópia – no céu, como um símbolo da abundância. Mas os bodes também eram símbolos da licenciosidade. O deus bode Pã, com seu séquito de sátiros, personificava a força vital incontrolável expressa pela luxúria humana. Com o cristianismo, o lascivo deus Pã tornou-se o bode expiatório, a encarnação animal das falhas e imperfeições humanas.

Saturno, o planeta regente de Capricórnio, também era uma personificação das riquezas da Terra. Paradoxalmente, era o deus do tempo que estabelecia os limites da vida mortal. Por isso, incorporava não só a abundância da natureza, como também sua austera mortalidade. O signo tem início junto com o solstício de inverno no hemisfério norte, quando a noite é mais longa. Nessa época de escuridão, o mítico deus solar renasce a cada ano. O profundo simbolismo da luz que renasce da escuridão é visto não só nas imagens cristãs, mas também nas figuras de Mitras e do Deus Sol Invictus, que dividiam com Jesus a data comemorativa de seus nascimentos.

Portanto, o bode expressa muitos níveis de significado, desde a abundância sensual da Terra até o caráter inevitável do tempo, bem como a esperança de redenção que nasce quando o senso de mortalidade é mais evidente. Escuridão e luz, estrutura e abandono… Esses paradoxos se refletem na natureza aparentemente contraditória do signo.

Aquário na Mitologia:
Para os egípcios, o bondoso deus Hapi carregava nos ombros um grande cântaro, por onde se derramavam as águas do rio Nilo. Os gregos o viam como Ganimedes, por quem Zeus se apaixonou e que tinha a função de levar a ambrosia aos deuses.

Mas a figura que melhor representa Aquário não é um portador da água, mas sim do fogo. Os gregos o chamavam de Prometeu – aquele que tem premonição. Ele roubou a chama de Zeus e a ofereceu aos seres humanos, para que pudessem aprender a viver como criaturas civilizadas.

A substância mágica que o aguadeiro carrega, seja água, fogo ou o elixir da vida, não é de fácil definição. O mito de Prometeu sugere que é o poder mental, a sabedoria, o conhecimento inspirado que Aquário demonstra, para criar um mundo mais eficiente, em que todos tenham o seu papel e contribuam para o bem comum.

Peixes na Mitologia:
Na mitologia síria, o peixe era associado com a grande deusa da fertilidade, Atargatis ou Derke, retratada com cabeça de mulher e corpo de peixe. Os gregos identificavam essa divindade com Afrodite. Na figura do signo, os dois Peixes simbolizam o grande ciclo anual e fértil da natureza. O ciclo do eterno nascimento, morte e renascimento expresso pelos ritmos do mundo natural.

Também retrata uma profunda verdade sobre a natureza dos seres humanos: o peixe maior tornou-se um símbolo do corpo mortal, com seu apetite insaciável e necessidades instintivas. O peixe menor tornou-se a imagem do poder redentor do espírito imortal, que embora preso ao ciclo da vida, renasce continuamente.

Na mitologia greco-romana, o simbolismo espiritual do peixe se reflete na figura do semideus Orfeu, cuja vida trágica adquiriu um sentido redentor. O peixe como redentor espiritual chegou até o Cristianismo primitivo, quando Jesus, ele mesmo, era o Peixe e Pedro era o Pescador de Homens. As imagens míticas de Peixes retratam o mistério de um espírito imortal que sempre tem uma nova chance para se redimir.

Texto: Marcelo Dalla
Ilustrações: Stephanie Pui-Mun Law – www.shadowscapes.com
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