Olá, amigos!

Estava já há muito tempo com vontade de escrever um artigo sobre a quadratura de Plutão a Plutão natal. Um trânsito astrológico que desencadeia crises de consciência, nos leva a mudanças… os trânsitos de Plutão sempre promovem profundas transformações (leia mais sobre o simbolismo de Plutão aqui). Todos nós passamos por esse trânsito aos trinta e tantos anos de idade.

No meu caso, foi quando vivi uma crise de identidade que se refletiu em minha vida profissional (tenho Plutão natal na casa 10, a casa da carreira, Plutão transitava pela minha casa 1, a casa da consciência do Eu). Deixei meu emprego na televisão, fui buscar respostas e voltei a estudar Astrologia. Depois disso, tornei-me astrólogo profissional.

É o confronto do Ego com a necessidade de elevação da consciência. Atendo consultas de muitos clientes nessa faixa etária que passam por essa crise, que afeta os assuntos das casas por onde Plutão transita e onde temos Plutão no mapa natal. Foi por isso que pensava em escrever o artigo. Mas ao pesquisar, lembrei-me que o querido e saudoso António Rosa, astrólogo português, já havia publicado um texto com este tema em seu blog, o COVA DO URSO.

Decidi então partilhar o artigo aqui, pois trata de temas muito importantes. Vamos a ele:

OS TRINTÕES DE HOJE (PLUTÃO EM QUADRATURA A PLUTÃO NATAL)

“Dado o movimento irregular do planeta, a idade em que se produz o conhecido trânsito astrológico de Plutão em quadratura a Plutão, difere muito através das gerações.

É um trânsito longuíssimo, que dura entre 3 a 4 anos. As pessoas nascidas por volta dos anos 50 iniciaram este trânsito quando tiveram 39-40 anos. Com a geração nascida nos anos 60 e 70, o início do trânsito passou para a fase entre os 36-37 anos. Com a geração dos anos 80, passou a ser ainda mais cedo, aos 34-35. Isto deve-se à elíptica irregular de Plutão. É o início da evolução da Consciência Maior. É o trânsito dos trintões.

Um trânsito complexo, pois nesta fase estas pessoas estão numa época em que, regra geral, vivem com muita intensidade e frescura a sua juventude mais madura. Serem “apanhadas” neste trânsito numa idade ainda tão jovem, pode provocar sérios conflitos às suas vidas, ainda em ascensão.

Os anos estudantis e o início da vida profissional já ficaram bem lá para trás. A maioria dos jovens urbanos, sofisticados e com cursos superiores, estão instalados em plena luta pela carreira profissional. Casados e provavelmente com um ou dois filhos, terão comprado a casa possível que lhes agrada e que não é ainda a vivenda dos seus sonhos. Estão a tentar lá chegar. Trabalham para isso. Praticamente, só para isso.

Possuirão bons carros, mas não os “daquela” marca que desejam, frequentam os lugares mais na moda. Restaurantes, bares, discotecas, lojas, muitas roupas e acessórios, fatos e gravatas caros, cabeleireiros, institutos de beleza, viagens, spas… cartões de crédito para a frente. Dependendo dos países onde vivam, havendo ou não uma crise da economia, as situações talvez se estejam a complicar um pouco (ou muito).

No meio de todo este “legítimo” e padronizado consumo, muitos e muitos trintões, vendem a alma ao diabo. Com arrogância. É a luta competitiva e feroz pela carreira. O livro “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu é esquadrinhado até à exaustão para aplicarem a sabedoria antiga ao mundo dos negócios e das carreiras profissionais. Dependendo das grandes ou médias empresas onde estão a trabalhar, essa competitividade é enorme, desgastante, terrível. Querem a todo o custo triunfar, fazer carreira, chegarem ao topo, terem poder.

E este trânsito de Plutão, entre outras coisas, fomenta imenso esta atitude guerreira. Quando chega a perda séria… vai tudo ao chão. Os que estão a passar por crises sérias, sabem do que estou a falar.

Esta é uma época que deixam de lado certas coisas que já não são essenciais e produz-se o surgimento de outras que são fundamentais para o desenvolvimento ou ressurgimento de energias que estavam latentes e inactivas. No entanto, estas mudanças costumam ser bastante dramáticas. Poderá pôr em questão tudo e todos, podendo nalguns casos chegar mesmo à necessidade de destruir o que já existe com a ideia de reconstrução, de ressurgimento, de renascimento das coisas e dos factos. É o trânsito dos divórcios, pois há necessidade de se descartarem do que está à volta. E quem está tão perto, tão perto, tão perto? A cara metade, claro!

Têm necessidade de se libertar de todo o tipo de opressões, de tutelas, de influências, através de um processo violento, podendo terminar com essas situações dum modo agressivo e autoritário.

Pode haver a tentação de dominar os outros através de processos secretos, ocultos, manipulando as vontades através de manobras psicológicas ou quaisquer outras usadas com poucos ou nenhuns escrúpulos, tornando as outras pessoas dependentes de si, manipuláveis e manobrando forças punitivas contra quem se rebelar ou não estiver totalmente de acordo consigo.

Podem reaparecer problemas que a pessoa considerava superados, mas que, na verdade, estavam a actuar no subconsciente. Podem surgir mudanças no ambiente habitual em que a pessoa se movimenta, que não sejam do seu agrado. Questões dramáticas de vida ou morte podem aparecer ou, então, muitas coisas podem desaparecer porque deixaram de ser úteis e necessárias.

Podem ocorrer a dissolução de relações (amorosas, amistosas ou profissionais) por já não cumprirem o objectivo da cooperação. Tudo aquilo que impede o conceito de crescimento para o futuro é uma barreira. Tudo o que já está gasto, em decadência e não serve para desenvolver uma consciência mais elevada, é eliminado mediante algum acontecimento de tipo eruptivo. E é, também, quando o ser humano pode confundir estas questões e, em vez de desenvolver uma consciência mais elevada, tenta elevar forçadamente o seu estatuto social e profissional.

Pelo lado mais positivo, espiritualizante e do desenvolvimento da consciência, também existe a possibilidade de que se despertem novas capacidades ou possibilidades que até agora estiveram adormecidas ou latentes. É o momento para saber aproveitá-las. As circunstâncias ou acontecimentos que agora rodeiam a sua vida servem como descargas que acendem este despertar.

As mudanças acontecerão naquelas áreas de vida associadas às duas casas afetadas pela quadratura de Plutão. A casa por onde este planeta transita e a casa natal onde Plutão está situado.

Reforçando a ideia: esta posição astrológica é característica de mudanças radicais, de alterações do comportamento social, psicológico e espiritual. São desencadeadas por por forças psicológicas inconscientes e subconscientes, eventualmente de natureza agressiva, que normalmente se traduzem numa recusa a qualquer coisa, ou a alguém, ou ainda numa revolta contra a sociedade em geral, contra os grupos com quem contacta, contra a política e organização social e contra todas as regras da sociedade.”

Em memória de António Rosa
Astrólogo, ilhéu, autor, editor de livros, bloguista.
Autor do blogue Cova do Urso.
Co-criador do site «Escola de Astrologia Nova-Lis»

 

 

Marcelo Dalla
Formado em Comunicação pela ECA – USP.
Estuda astrologia há 30 anos e atua profissionalmente como astrólogo no Brasil e em Portugal há 10 anos.
Especializado em Astrologia Cármica, Terapeuta Florais de Bach e Xamanismo. Artista gráfico e criador de mandalas.
Publicou em Portugal os livros MANDALAS MÁGICAS e MANDALAS SIGNOS DO ZODÍACO, ambos pela editora Verso de Kapa.
Mantém uma coluna diária de astrologia no portal ASTROCLICK e coluna semanal no site
www.marcelodalla.com
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