A organização de uma casa nos ensina uma pá de coisas. Se prestarmos atenção à lógica que empregamos para organizar a bagunça – especialmente quando ela está insuportável – podemos ver que ela também pode ser aplicada à vida.

Imagine que alguém se mudou para sua casa, lotou a sala de caixas de papelão cheias de coisa, entulhou o quarto de hóspedes ou o quarto do filho que está morando fora de cabides com roupas, livros, tranqueiras e mais tranqueiras. Ao olhar aquela montoeira de coisas, a primeira vontade que dá é de sair correndo, vazada, e desaparecer. Pra sempre!

Mas isso não resolve. A bagunça está ali, amanhã é segunda-feira e tudo tem que estar no lugar para que o cotidiano retome seu rumo. O que fazer?

Pare, olhe bem em tudo aquilo, pense … Se você pensar bem, vai descobrir rapidinho, que a primeira coisa a fazer com aquilo tudo é ir lá na área de serviço ou no home box do prédio ou qualquer outro lugar que sirva de depósito. Segunda coisa a fazer é checar nos locais de depósito o que você não usa mais e pode sair dali para a casa de quem precisa. Tire tudo que não usa há seis meses, por exemplo. Separe isso tudo num canto e veja quanto espaço abriu nesses locais – estantes, guarda roupas, cômodas, armários, baús….

Agora, abra caixa a caixa e dê o destino ao conteúdo de cada uma delas, uma por vez. Se abrir todas ao mesmo tempo, pode pirar e a vontade de sair correndo volta na hora. As roupas vão para o guarda roupas, de onde você tirou o que não usava. Os sapatos, os livros, as panelas …. tudo irá ocupar seus lugares nos vazios deixados pelo seu desapego.

O que não der para organizar hoje e não for urgente, deixe separado para você mexer apenas quando for possível e necessário. E só volte a pensar nisso, na hora que for mexer ali.

Assim deve ser na vida. Pra organizar e limpar o que está fora do eixo, é preciso desocupar espaços dentro de si, jogar fora aquelas coisas que não prestam pra nada e só ficam enchendo nosso HD: mágoa, ressentimento, lembranças amargas e toda a caixa de entulho emocional que a gente vai carregando e guardando, cheirando a mofo e cheia de pó.

Jogue tudo fora. Depois, parta para cada uma das coisas que precisa resolver, mas uma de cada vez. Não adianta querer abrir todas as caixas de uma vez, lembra-se? Para cada uma tem um destino, uma solução, uma estratégia. Primeiro, resolva as mais importantes, aquelas de que a gente depende para viver bem hoje e, no máximo, amanhã. As coisas menos urgentes, deixe separadas e só pense nelas na hora de resolver. Antes, é perda de energia.

A casa interna vai tomando ares de arrumada, de calma, de limpeza e frescor. Certamente, que outras caixas aparecerão no meio do caminho e terão que passar pelo mesmo processo. Repita a operação!

Célia Rennó
Jornalista, autora de 4 títulos da coleção Ludo Ludens, da Editora do Brasil, e gosta de pensar, falar e escrever sobre o comportamento humano e suas idiossincrasias. Trabalha com Educomunicação há alguns anos e nunca se aquieta. Está sempre inventando um jeito de se comunicar!

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