Ah, que descuido bom!

Tenho um amigo que resolveu sair com a mulher pelo mundo. Cada dia estão num país, conhecendo um povo, uma cultura, um jeito de viver e pensar diferente.

Dia desses, me mandou uma mensagem dizendo que nós, ocidentais, materializamos a felicidade e demos até preço. “Só esqueceram de contar para a turma que não tem como comprar. Aí o bobo se mata nesse financiamento”, resumiu ele.

E não é que é assim mesmo? Promessas de felicidade de todo jeito, desde o comercial da margarina até a compra de um carrão que só falta falar. Ou será que já fala?

A felicidade parece inalcançável porque quando a gente realiza o desejo, ela acontece. Mas um segundo depois, já temos outro desejo. E assim, seguimos numa busca permanente por algo que parece não existir ou, pelo menos, durar apenas uma fração de segundo.

É chover no molhado – muita gente já disse e redisse isso – mas vou dizer de novo porque parece que a gente ainda não entendeu. É nas horinhas de descuido que a felicidade está, como bem disse Guimarães Rosa.

Quando a mente barulhenta se descuida de nós e nos deixa livres para apenas sentir. Sem teorias, sem análises, sem pensamentos – será possível? – sem ansiedades ou viagens ao passado.

Quando a gente respira o ar. Só isso. Só respira e sente. Quando a gente canta. Só isso. Só canta e sente. Quando a gente come uma coisa gostosa. Só isso. Só come e sente! Quando a gente beija e abraça alguém. Só isso. Só beija, abraça e sente!

Felicidade não tem antes nem depois. Felicidade é agora!

(Para o Sandro Masseli)

Célia Rennó
Jornalista, autora de 4 títulos da coleção Ludo Ludens, da Editora do Brasil, e gosta de pensar, falar e escrever sobre o comportamento humano e suas idiossincrasias. Trabalha com Educomunicação há alguns anos e nunca se aquieta. Está sempre inventando um jeito de se comunicar!

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