A natureza vive nos dando lições de vida, das coisas mais simples e corriqueiras até as mais importantes. Basta que tenhamos olhos para ver. Outro dia, me esbarrei num exemplo bem simples.

Uma experiência escolar, que um carinhoso professor de Química batizou de Meleca Maluca, mostra que as coisas reagem conforme são provocadas. Era uma tigela com amido de milho e água. Se o experimentador passa a mão suave e lentamente pela meleca, ela fica viscosa, molinha. Responde com leveza e suavidade ao seu toque. Mas se ele resolve dar um soco no ‘mingau’ da tigela, a meleca reage com dureza. Nem parece a mesma mistura, mas é.

A experiência tem uma explicação física que o professor sabe bem como transmitir aos alunos, mas eu, de fora, já fiz a leitura de outro modo: levei a coisa para o lado de nosso comportamento e das relações humanas e vi que tanto a experiência da meleca quanto a vida tem a mesma essência.

Trate as pessoas, os animais, as plantas, a natureza com suavidade e leveza. Assim eles te devolverão o afago. Faça o contrário e eles também farão. Simples assim. A natureza está a todo momento nos respondendo: se maltratamos as matas, os rios, o ar, eles nos devolvem na mesma moeda. Se cuidamos deles, idem.

Mas então a vida é um toma lá dá cá? Em muitas circunstâncias é sim. A gente colhe o que planta mesmo – assim como em todos os pomares naturais. Mas a natureza, ao mesmo que tempo que nos ensina, nos perdoa.

A Primavera é, para mim, o símbolo máximo do perdão. Essas terra e Terra judiadas, exploradas em função do lucro, nos dão flores primaveris. Quer ação mais superior que essa? É como se as árvores pensassem assim: coitados desses seres humanos, não sabem o que fazem, um dia irão entender, estão aprendendo ainda, no caminho penoso da evolução, vamos lhes dar flores para que não sofram tanto!

Assim devíamos ser também. Compreender que as pessoas têm seus limites, que dão apenas aquilo que tem. Se a vida lhes aplicar um ‘toma lá dá cá’, se repetir a experiência da Meleca Maluca, deixe que ela ensine a todos. Mas nós, de nossa parte, devíamos nos inspirar mais na Primavera e, haja o que houver, oferecer flores!

Célia Rennó
Jornalista, autora de 4 títulos da coleção Ludo Ludens, da Editora do Brasil, e gosta de pensar, falar e escrever sobre o comportamento humano e suas idiossincrasias. Trabalha com Educomunicação há alguns anos e nunca se aquieta. Está sempre inventando um jeito de se comunicar!

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