MENOS MATÉRIA, MAIS ESPÍRITO

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Devíamos ser incentivados desde cedo e sempre a pensar além da matéria. Certamente sofreríamos menos com as coisas dessa vida, que às vezes é tão dura, difícil de suportar. As religiões – cada uma a seu modo e quase todas elas – esforçam-se por nos manter ligados às questões espirituais, mas ainda assim, no dia a dia, esse papo fica meio abstrato, difícil de digerir.

Perder uma pessoa com quem se convive há décadas é uma das maiores dores que podemos enfrentar. Aliás, corrijo-me aqui mesmo. Perder alguém próximo, alguém a quem se ama, é uma porrada daquelas que nos deixam atordoados por um bom tempo, independente do tempo de convivência que tivemos com ela. Mas perder sabendo que o que foi embora foi apenas a matéria dá outro sentido à perda.

A matéria não está mais ali, dormindo ao seu lado, vendo TV com você, mas a pessoa nunca mais deixará de existir. Ela continua presente em sua vida. Ela apenas mudou seu ‘status’ de ‘carne e osso’ para ‘eterna’. O que você viveu com ela nunca mais deixará de ser real.

Corrijo-me de novo – vícios da cultura – e digo: não perdemos ninguém. Quando um filho, por exemplo, muda de cidade, nós não o perdemos. Ele apenas trocou de endereço. Assim devíamos encarar essa passagem da vida material para outra dimensão, seja como for essa outra.

Na cultura ocidental, a morte ainda é tabu, não é assunto para criança, é um evento doloroso e dramático e realmente, nos deixa sem chão quando bate à nossa porta e leva alguém de nós. Podia ser diferente. Podíamos, como em certas culturas, fazer festa no cemitério no dia dos mortos.

Deveríamos nos sentir leves quando nossos entes queridos saem da prisão da matéria – com toda sua limitação – para viver em outra dimensão, onde, creio, seja muito melhor que a coisa aqui na Terra. Sem limites, sem pequenez, sem espaço para mediocridades.

Aliás, falando em Terra, cada vez mais acredito que a gente passa por aqui para aprender, para crescer e não fazer mais besteira. Quando tivermos aprendido a lição, talvez não seja mais necessário passar por essa etapa terrena. E a lição é a de amar de verdade, sem interesse, sem apego, sem fazer absolutamente nenhum mal a nada nem a ninguém. É fazer jus e merecer o presente que ganhamos: a oportunidade de viver.

Célia Rennó
Jornalista, autora de 4 títulos da coleção Ludo Ludens, da Editora do Brasil, e gosta de pensar, falar e escrever sobre o comportamento humano e suas idiossincrasias. Trabalha com Educomunicação há alguns anos e nunca se aquieta. Está sempre inventando um jeito de se comunicar!

 

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