Os primeiros lugares considerados sagrados pelo homem estavam na natureza. Eram foram montanhas, vulcões, cavernas, grutas, rios, quedas d’água, florestas, matas, bosques, árvores e lagos. Esses lugares foram objeto de adoração e cenário de cerimônias, oferendas, orações, sacrifícios e sepultamentos.

Apenas no Brasil, a analista ambiental Érika Fernandes Pinto constatou que existem cerca de 500 sítios naturais considerados sagrados e dotados de valores presentes nas crenças sacras, espirituais e na cultura das populações que vivem em seu entorno.

O AstroClick apresenta agora a segunda parte de uma série que destaca os lugares sagrados mais importantes da Terra. Nesta edição vamos conhecer sítios naturais considerados sagrados por várias culturas e que merecem ser visitados.

O Monte Kailash, no Tibete, é considerado o centro do Universo pelos budistas e um dos locais mais sagrados do mundo por cinco religiões. As águas de seu degelo alimentam vários rios santos, como Brahmaputra, Indo e Ganges. Abaixo dele está outro lugar sagrado, o lago Manasarovar. Contornar o Kailash e o Manasarovar a pé é um importante ritual, sobretudo para os budistas do culto tibetano.

O Pico de Adão, no Sri Lanka, monte rochoso é considerado sagrado desde tempos imemoriais. O local possui uma marca parecida com uma pegada. Para os cristãos seria onde Adão pousou o pé quando foi expulso do paraíso. Para os budistas é a pegada de Buda ao deixar o mundo, depois de atingir a iluminação. Para os hindus é a marca do deus Xiva. Por isso, peregrinos chegam aos milhares para enfrentar uma subida com 5.200 degraus.

O Cenote Sagrado, no México, é um sumidouro naturai cheio de água, considerado sagrado pelos Maias e usado como portal de comunicação com os deuses. O Cenote Sagrado, em Chichén Itzá, era local de rituais, sacrifícios e oferendas. Jóias, cerâmicas e ossos humanos foram encontrados no local.

A Torre do Diabo, no estado do Wyoming, nos Estados Unidos, com mais de 1.300 metros de altura é considerada monumento nacional e local sagrado para mais de 20 tribos nativas. Os Crow jejuam e realizam celebrações no local, construindo casas de pedra para missões de sonhos. Os Lakota realizam rituais de purificação e a sagrada Dança do Sol. Os Arapahoe, Cheyenne, Kiowa e Shoshone também possuem laços com a montanha e muitas de suas cerimônias e orações ainda acontecem ali.

As Cataratas Vitória, na fronteira entre a Zâmbia e o Zimbábue também tem raízes espirituais. Batizadas de “Mosi-o-Tunya” (A Fumaça Que Troveja), as formidáveis quedas foram consideradas sagradas pelas tribos locais por centenas de anos. O explorador David Livingstone, escreveu: “ninguém pode imaginar a beleza da visão de qualquer coisa semelhante testemunhada na Inglaterra. Nunca tinham sido vistas pelos olhos europeus, mas cenas tão lindas devem ter sido contempladas por anjos em seus voos”.

Sagradas para os hinduístas, as Cavernas de Batu-Batu, na Malásia, sagradas para os hinduístas, ficam apenas 13 quilômetros distantes de Kuala Lumpur. São três grandes cavernas e outras menores utilizadas como templos.

Os Caminhos de São Paulo, na Grécia e na Turquia, marcam a expansão do cristianismo e percorrem regiões por onde o apóstolo peregrinou. São cenários naturais incríveis, sítios arqueológicos, entre ruínas e templos. Na Turquia, o destino passa por igrejas rupestres do Vale de Goreme e a cidade subterrânea de Uchisar. A viagem segue para Éfeso, Esmirna, Pérgamo e Tróia. Na Grécia, passa por Atenas e Corinto e pelas ilhas Santorini, Creta, Patmos e Rodes. Roma, que o santo percorreu em sua vida evangelista também entra no roteiro.

E se você gosta mesmo de caminhar e aumentar sua fé o trajeto de 700 quilômetros do Caminho de Santiago de Compostela é a pedida. Essencialmente entre a França e a Espanha, o caminho é repleto de belas paisagens e um dos destinos religiosos mais famosos do mundo. As trilhas apresentam vários albergues e restaurantes, podendo ser percorridas a pé ou de bicicleta.

O Monte Osore, é uma região montanhosa no centro da Península de Shimokita na província de Aomori, Japão. De acordo com as crenças budistas, o monte marca a entrada para o inferno e o paraíso. No templo Bodai-ji acontece o importante festival Itako Taisai, para a comunham dos espíritos dos mortos afim de que façam a travessia bem sucedida para o paraíso.

Acredita-se que este local representa o inferno e o paraíso porque que o vizinho Lago Usori está no seu centro, cercado por oito montanhas e representa uma flor de lótus de oito pétalas e o Amida Butsu que significa “Buddha da Luz e Vida Infinitas”.
Na sua área central há 108 lagoas de água fervente e lama, que correspondem aos 108 desejos mundanos e os infernos ligados a cada um deles.

O Templo Kiyomizu-dera ou “Templo das Águas Puras”, em Kyoto, fica ao lado da montanha Otowa, onde peregrinos buscam as águas sagradas da cachoeira para beber. Do outro lado da cidade, a floresta de ciprestes japoneses que guarda o templo zen budista Kinkaku-ji é considerada divina. As árvores foram adoradas muito antes da construção do templo, no século III.

Uluru, situado dentro do Parque Nacional Uluru-Kata Tjuta, é uma grande formação de arenito de pouco mais de nove quilômetros de circunferência, na região da cidade de Alice Springs, no centro da Austrália. É um dos símbolos mais emblemáticos do país e sagrado para o povo aborígene. Os Anangu, seus guardiões, acreditam que o monólito foi criado por seus antepassados com a intenção de proteger espiritualmente suas terras.

Hikurangi é uma montanha sagrada para os maoris, com um nascer do sol é bastante procurado por turistas. É o ícone mais importante na mitologia Maori, pois foi a primeira parte da Ilha do Norte a emergir quando o deus Māui, o puxou como um peixe gigante do oceano. Outra crença conta que também serviu de refúgio para as pessoas em um grande dilúvio. Por isso é referenciada em encantamentos, canções, danças de guerra e provérbios. O pico é tradicionalmente considerado como a primeira terra do mundo a captar os raios do sol dos dias de verão.

No Brasil, destacamos cinco lugares. A Lagoa Encantada dos Negros, no Parque Memorial Quilombo dos Palmares, em Alagoas, representa a purificação da vida, onde os quilombolas palmarinos repousavam e saciavam a sede, afiavam suas armas e ferramentas, alimentavam suas almas com a presença do supremo através da energia natureza à sombra da Gameleira Branca. No Brasil, Irôco é o orixá dessa árvore e representa o tempo. A Gameleira é a árvore primordial, a essência da criação, o poder da terra que ensina aos homens o sentido da vida.

O Monte Roraima, na fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, possui um significado simbólico e espiritual. Os indígenas o consideram como o coração do mundo e morada de “Makunaima”, filho do Sol e da Lua. As histórias citam também a lendária “árvore da vida”, planta imensa que estava lá desde a origem do mundo, produzindo todos os frutos existentes na Terra e que foi cortada pela cobiça dos seres humanos. Seu tronco decepado se transformou na montanha e suas lágrimas ainda correm como cachoeiras.

Dois sítios sagrados para as comunidades indígenas do Alto Xingu integram o tradicional ritual do Kuarup a maior festa ritualística entre os povos da região. Sagihengu é o lugar onde começa o Kuarup e onde as comunidades indígenas afirmam ter ocorrido o primeiro Kuarup em homenagem a uma mulher: a Mãe. A cerimônia neste local homenageia a vida, apesar de ser uma cerimônia funerária.

Outro lugar sagrado é Kamukuwaká, considerado local de passagem de vida e morte. O lugar – uma caverna – era prisão sepulcro e local de renascimento, onde o cacique Kamukuwaká e seus parentes ficaram encerrados. Este povo, punido pelo Sol, invejoso de sua beleza, é o antepassado dos Waurá. Foi no abrigo Kamukuwaká que teve início o ritual de furação de orelhas, fazendo morrer o menino e nascer o homem.

E finalizamos com a Cachoeira de Iauaretê, lugar sagrado dos povos indígenas dos Rios Uaupés e Papuri, localizada no município de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, marca a história da origem dos povos e fixação na região. Pedras, lajes, ilhas e paranás simbolizam episódios de guerras, perseguições, mortes e alianças descritos nos mitos de origem e nas narrativas históricas destes povos. O local remete à criação das plantas, dos animais, da humanidade e de tudo o que seria necessário à vida no local e à sobrevivência dos descendentes dos primeiros ancestrais.

Veja também: LUGARES SAGRADOS DO MUNDO PARTE 1 – BUDISMO

Ronaldo Cooper
Nasceu em Porto Alegre, é jornalista, roteirista, fotógrafo e editor do blog VisualZine.
visualzine.blogspot.com.br

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