Vivemos falando coisas que, de tão corriqueiras e comuns, não nos chamam mais a atenção sobre sua importância e significados. As frases, os ditados populares, os clichês e chavões ficam gastos, batidos e perdem sua força. Quando você procura consolar alguém com o tradicional – Tudo passa! – a pessoa já fica com cara de: lá vem ela falando bobagens ou destilando sua falta de assunto.

Mas essas frases são muito reais mesmo. Quem duvida de que tudo passa? As coisas mudam de figura, por vezes melhoram, outras vezes achamos que pioraram, mas todas elas passam: a dor, a saudade, o tempo, a alegria, a satisfação, a doença. Pra ser bem pessimista, se não passar logo, quando a gente for pro andar de cima, elas passam. Te garanto.

Outra máxima que eu adoro é o “quem procura acha”. Tão óbvio que fica esquecido. Sabe quando você encasqueta com uma coisa, uma pessoa, e fica pensando naquilo sem parar. Uma hora você vai achar, de tanto que procurou, mesmo que sem querer. Mesmo que não queira encontrar, de tanto evitar acaba achando. Guimarães Rosa tem uma frase que fala disso: ‘quem muito se evita, se convive”. Riobaldo, de Grande Sertão Veredas, é um jagunço filósofo. E dos bons!

“Não adianta chorar sobre o leite derramado.” É ou não é a mais pura verdade que, se levássemos pro nosso cotidiano, evitaria muito sofrimento? Derramou, fazer o quê? Levanta, sacode a poeira (ou o leite) e dá volta por cima. Ficar chorando sobre o leite não vai consertar o derrame. Perdemos energia com o chororô e não saímos em busca de um plano B – sem leite.

Adoro o “casa de ferreiro, espeto de pau”. E não é que é a pura verdade? Nós somos ótimos para dar bons conselhos, ‘ensinar’ os outros a enfrentar seus problemas, cheios de filosofias e psicologias. Mas, quando o protagonista da história somos nós, buáááááááá. A gente abre o bocão e é como se não ouvíssemos nossos próprios conselhos. Vamos ouvir o que nós falamos. Simples assim!

“Quem espera sempre alcança”. Nossos desejos, nossos pensamentos nos levam a alcançar o que queremos. Esperar com esperança, pode parecer redundância, mas é diferente de esperar sentado, passivo, esperando o tempo passar para que um milagre aconteça – e eu não duvido de milagres. Mas esperar agindo, trabalhando em prol daquilo que se quer alcançar. É tiro certo!

E pra encerrar: Jacaré que fica parado vira bolsa!

Até a próxima!

Célia Rennó
Jornalista, autora de 4 títulos da coleção Ludo Ludens, da Editora do Brasil, e gosta de pensar, falar e escrever sobre o comportamento humano e suas idiossincrasias. Trabalha com Educomunicação há alguns anos e nunca se aquieta. Está sempre inventando um jeito de se comunicar!

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