Como nós temos falado ultimamente, hein?! Socorro!!!! É uma falação sem fim, especialmente no Facebook, espaço em que é cômodo falar o que dá na cabeça, cuspir, escarrar e outras coisas mais. É uma multidão de matracas de semana santa, uma torre de Babel. A gente julga, condena, lincha, agride, ofende e prega nossas verdades sem dó nem piedade. No whatsApp é a mesma coisa. Passe algumas horas sem acessar um dos grupos a que você pertence e veja o acúmulo de mensagens que recebeu.

Tem gente que fala com a própria boca, outros papagaiam as falas de terceiros e disseminam essa coisa que passa longe de informação. Beira mais à desinformação, à difamação, à reprodução de ‘fatos criados’ sem checar a fonte e por aí vai. Nas redes sociais, todo mundo virou jornalista ou juiz: divulga ‘notícias’, comenta, dá veredictos e sentenças. Tá osso essa rede antissocial, viu?

O ex-vice presidente do Facebook deu entrevista recente em que fala da ‘merda’ que ajudou a expandir. Ele mesmo usou essa expressão, falando sobre o papel destruidor do tecido social que o Facebook vem assumindo e aconselha a que descansemos dessa rede. Realmente, ela nos cansa. Exaure nossas forças e rouba a energia quando, por nossa livre e espontânea vontade, ficamos horas deslizando o dedo sobre a tela para ver as porcarias que andam circulando por ali. Claro que tem muita coisa boa e construtiva sim, mas parece que nosso lado mórbido nos faz perder mais tempo diante das misérias e das tragédias.

O Papa Francisco escreveu mensagem sobre isso que o Vaticano divulgou no dia 24 de janeiro, quando se comemora o dia de São Francisco de Sales, padroeiro da imprensa católica. Ele fala da responsabilidade da comunicação, que deve ser usada para a comunhão e não para a desunião e o apartamento e divisão das pessoas como tem acontecido. Disse o Papa, entre outras reflexões: “Mas, se orgulhosamente seguir o seu egoísmo, o homem pode usar de modo distorcido a própria faculdade de comunicar, como o atestam, já nos primórdios, os episódios bíblicos dos irmãos Caim e Abel e da Torre de Babel”.

Falando de outro Francisco, o de Assis, veja o que dizia: “Pregue o Evangelho todo o tempo. Se necessário, use palavras”. Brilhante São Francisco!!!! Ele provavelmente não teria perfil no Facebook se estivesse encarnado entre nós. Francisco deu exemplo de humildade, compaixão e amor sem precisar de palanque, microfone e celular. Evangelizou da forma mais bonita que existe, com ações, coisa que nós não andamos fazendo. Falamos demais, damos lição de moral, nos mostramos e exibimos como guardiões da ética, bla, blá, blá, blá, blá!

Silêncio, ele diria. Aquiete o pensamento, ame quietinho, saia da frente do espelho ou pare de fazer selfies e enxergue e ame o próximo, compreenda e seja um instrumento da paz. Transcrevo aqui a oração que o Papa redigiu para os nossos tempos, franciscando:

“Senhor, fazei de nós instrumentos da vossa paz.
Fazei-nos reconhecer o mal que se insinua em uma comunicação que não cria comunhão.
Tornai-nos capazes de tirar o veneno dos nossos juízos.
Ajudai-nos a falar dos outros como de irmãos e irmãs.
Vós sois fiel e digno de confiança;
fazei que as nossas palavras sejam sementes de bem para o mundo:
onde houver rumor, fazei que pratiquemos a escuta;
onde houver confusão, fazei que inspiremos harmonia;
onde houver ambiguidade, fazei que levemos clareza;
onde houver exclusão, fazei que levemos partilha;
onde houver sensacionalismo, fazei que usemos sobriedade;
onde houver superficialidade, fazei que ponhamos interrogativos verdadeiros;
onde houver preconceitos, fazei que despertemos confiança;
onde houver falsidade, fazei que levemos verdade.
Amém!”

Vaticano, 24 de janeiro de 2018
Memória de São Francisco de Sales
Franciscus

Célia Rennó
Jornalista, autora de 4 títulos da coleção Ludo Ludens, da Editora do Brasil, e gosta de pensar, falar e escrever sobre o comportamento humano e suas idiossincrasias. Trabalha com Educomunicação há alguns anos e nunca se aquieta. Está sempre inventando um jeito de se comunicar!

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