Ano passado aprendi uma coisa que valeu pelos 50 anos quase completos. Ah se eu soubesse antes que era possível. Mas, enfim, se eu aprendi agora, vou usar para os próximos 50. Foi com a psicóloga Del Mar Franco, de São Paulo, do Instituto Evoluir. A dica é pra tirar da cabeça os maus pensamentos.

(Abro um parêntese aqui pra dizer como é maravilhosa a oportunidade que a Internet nos traz. Hoje, podemos ouvir e ver gente que vale à pena, de todo canto do mundo. Foi nessas andanças pela rede que descobri as boas falas dessa psicóloga. Uma ponderação serena e equilibrada, com dicas práticas para o cotidiano. Fica a dica para que a procurem no YouTube)

Bem, voltando ao tema, desde criança, tenho pensamentos ruins. Não sei bem o porquê, mas pensava muito em acidentes, morte, coisas muito, mas muito ruins de se pensar. Minha mãe me aconselhava a rezar e pedir a Deus que os afastasse de mim. E assim eu fazia. Acho que o que levava uma criança a ter pensamentos ruins só podia ser culpa, sei lá. Esse teor judaico-cristão da culpa quando a gente não está sofrendo ou rezando. É o que me ocorre quando procuro entender porque eu pensava tantas coisas ruins assim. Não sei. Só sei que era assim!

Nós não somos nossos pensamentos. Se fôssemos, só teríamos os pensamentos que escolhêssemos, aqueles que têm a nossa cara e nos dessem prazer e alegria. Mas todo mundo pensa coisa que não quer, na hora que não quer, de um jeito que não quer. Portanto, muitos pensamentos devem ter outra origem que não nossa própria vontade e escolha.

Seja lá qual for a origem, ela também tem que cuidar de tirá-los de nossa cabeça porque pensamentos ruins nos fazem muito mal. Del Mar Franco deu a dica: quando lhe ocorrer aquele pensamento ogro, fale: – esse pensamento é só meu? Que volte para o lugar de origem. E é incrível como isso funciona! Parece que o pensamento perde a força, se coloca em seu devido lugar, tira a máscara de monstro e volta pianinho pra casa, seja ela onde for. Aliás, nem quero saber esse endereço de onde saem coisas não boas direto pra minha cabeça.

Os pensamentos criam, eles têm uma força danada. As coisas são, simplesmente, as coisas, nem boas nem ruins. Nossos pensamentos sobre elas é que as fazem adquirir boas ou más qualidades. Tanto é verdade que uma mesma coisa pode ser boa pra alguém – e fazê-lo muito feliz – e ser péssima pra outra pessoa. Então não é a coisa que é boa ou ruim, mas o que você pensa sobre ela.

Por isso, cuidado com os pensamentos. Mandamos de volta aqueles que chegaram sem nosso consentimento e cuidamos daqueles que nós mesmos elaboramos. Esses últimos nós colocamos na cabeça quando precisamos entender alguma coisa, planejar, refletir, enfim, quando a cachola está trabalhando sob a nossa batuta.

Pensando no poder deles e na capacidade que tem de ser cocriadores da realidade, podemos nos determinar a dar mais qualidade a eles. Que sejam iluminados, alegres, otimistas, esperançosos, confiantes, solidários, não julgadores, humildes, simples, dóceis, amáveis, flexíveis, tolerantes, entusiasmados, enfim, se é produto nosso, se tem poder de criar a realidade (somado a outros fatores, é claro) que sejam bons, que valham a pena.

Célia Rennó
Jornalista, autora de 4 títulos da coleção Ludo Ludens, da Editora do Brasil, e gosta de pensar, falar e escrever sobre o comportamento humano e suas idiossincrasias. Trabalha com Educomunicação há alguns anos e nunca se aquieta. Está sempre inventando um jeito de se comunicar!

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