Dia desses, conversando com uma amiga boa de prosa, demos muita risada porque ela dizia que não desmancha nada que tenha feito errado porque só quer andar pra frente, não dá passos para trás de jeito nenhum. Se errar um ponto do tricô, por exemplo, ela dá um jeito, inventa outra coisa, mas não desmancha. Se está na estrada e alguém no carro achar o retorno para voltar para um restaurante que está na pista contrária e acabou de passar, ela não deixa de jeito nenhum. Siga em frente, sempre em frente, diz ela.

É claro que a gente não precisa radicalizar porque, afinal, fazer um tricô certinho, sem pontos errados, é bom também. Mas acho que, no fundo, minha amiga tem razão. Se foi mal feita a coisa, não corrige, o tempo gasto com ela dobra quando se tenta sua correção. Um período para errar e outro para corrigir. Melhor seguir adiante e tentar não errar na próxima. E fazer novas coisas, em vez de corrigir as já acontecidas.

A gente vive fazendo isso na vida. Fica tentando corrigir coisas que fizemos mal, mas elas não deixarão de ter existido. Já aconteceram, o tempo não volta. Melhor respirar fundo e tocar o barco para frente. Claro que isso não elimina, por exemplo, pedidos de desculpas, quando esse mal feito atingiu negativamente alguém. Pedir desculpas, reconhecer humildemente o erro é muito bom.

E seguindo o exemplo da amiga, podemos ser criativos e encontrar soluções interessantes para os erros, sem tentar corrigi-los, mas apenas dar uma cara nova a ele. Igualzinho ao que ela faz no tricô, inventa um ponto novo a partir do errado. Se escolheu a profissão errada, por exemplo, e – por qualquer coisa que seja – é impossível mudar esse cenário, tente achar um aspecto da profissão que dê prazer e o explore ao máximo. Pense em como essa profissão pode abrir espaços para outras coisas mais prazerosas, invente alguma coisa.

Se errou na escolha do lugar de morar e não pode mudar, pinte todas as paredes de outra cor, dê uma cara nova à mesma casa. Não se lamente por ter feito uma escolha não muito feliz, mas torne-a feliz como puder.

Essa coisa vale para qualquer área da vida. Quando optamos por não gastar tempo com essas correções é como se ganhássemos ânimo novo porque, afinal, o que vem pela frente é sempre novo. Se debruçar sobre o já feito pode ser desanimador, dá até preguiça de ficar repisando terrenos por onde já passamos. Por isso, sempre que possível, seja criativo para lidar com os erros, transforme-os, olhe-os de outro modo, sinta-o de outra forma.
Até a próxima!

Célia Rennó
Jornalista, autora de 4 títulos da coleção Ludo Ludens, da Editora do Brasil, e gosta de pensar, falar e escrever sobre o comportamento humano e suas idiossincrasias. Trabalha com Educomunicação há alguns anos e nunca se aquieta. Está sempre inventando um jeito de se comunicar!

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