De alguma forma, todo mundo quer e busca estabilidade. Seja no trabalho, nas finanças, nos relacionamentos, a gente está sempre querendo navegar num mar sereno. Parece que a gente se sente no útero materno quando as coisas estão redondinhas, tudo aparentemente nos seus devidos lugares.

Mas é óbvio que as coisas não funcionam assim. O chefe te demite, o sócio entra em parafuso e quer mudar tudo na empresa, o companheiro resolve sair de cena, os filhos saem de casa pra estudar fora, o dono da casa resolve pedir o imóvel alugado … enfim, o que não faltam são coisas para agitar o mar, chacoalhar tudo, abrir as gavetas e tirar tudo do lugar. E agora José?

Nos primeiros momentos a sensação é de perda total. – Xiiiii, ferrou!, é o que a maioria de nós pensa de imediato. Não sei por que temos esse velho costume de ter, primeiro, a sensação de pessimismo. Depois a gente até repensa, se distancia pra olhar melhor a situação, respira fundo e recobra a esperança. Mas a primeira coisa que vêm a cabeça, quase sempre, é que tudo f…

Mas seria legal experimentar o prazer de se estar numa corda bamba, sem nenhuma proteção embaixo. Quando as coisas estão instáveis e não dependem de nós para recuperar a estabilidade imediatamente, o melhor é se entregar à aventura da corda bamba, vivendo cada passo como se fosse o último, com aquele frio na barriga da expectativa do que está por vir. Passo a passo, uma hora a corda pende prum lado, depois pro outro, a gente quase cai, chega a cair e sobe correndo de volta pra corda, fica mirando o fim da corda pra tentar chegar lá sem quedas.

Ah, deve ser uma delícia curtir a corda bamba em vez de sofrer em cima dela.

Aliás, pensando bem, a tal estabilidade que a gente busca e até acha que vive nela quando a encontra, não existe. De um minuto pro outro, tudo pode sair do velho lugar. A zona de conforto pode sair debaixo de nossos traseiros, a terra pode tremer, o mundo pode acabar…. qualquer coisa pode acontecer a qualquer hora. Nada absolutamente nada está sob controle. A gente é que acha que está.

No fim das contas, viver é perigoso pra caramba, todo dia pode ser o último, o medão da corda bamba deve ser encarado com humor, alegria, esperança, aceitação. Se cair, levanta. Se não cair, aprendeu a equilibrar. Aprendeu a viver!

Célia Rennó
Jornalista, autora de 4 títulos da coleção Ludo Ludens, da Editora do Brasil, e gosta de pensar, falar e escrever sobre o comportamento humano e suas idiossincrasias. Trabalha com Educomunicação há alguns anos e nunca se aquieta. Está sempre inventando um jeito de se comunicar!

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