Ela é uma das cidades mais antigas da Espanha e, por essa razão, guarda muita história, tradições e lendas, sendo descrita pelo escritor Miguel de Cervantes como “a glória da Espanha” e adotada como moradia por um dos grandes mestres da pintura, El Greco.

Uma Vista de Toledo – El Greco

Toledo, capital de Castilla La Mancha, é conhecida como a Cidade da Três Culturas, porque dentro de suas muralhas e construções conviveram por mais de três séculos de relativa hamonia cristãos, muçulmanos e judeus.

A cidade é relativamente pequena, mas apresenta muitas atrações interessantes para quem a visita. Situada magnificamente às margens do rio Tejo, foi capital do Reino de Castela entre os anos 1085 e 1561, quando a corte foi transferida para Madri.

Como o ponto de partida mais comum para visitá-la é a atual capital espanhola, a estação de trem de Toledo é o primeiro ponto que o turista pode conhecer. Construída no estilo com influência árabe neo-mudéjar, seu interior é iluminado por janelas com belíssimos vitrais.

No panorama da cidade se destacam duas construções, o Palácio de Alcázar e a Catedral. O Alcazar domina a paisagem e foi construído por volta do século III pelos romanos e posteriormente modificado e ampliado pelos cristãos. A Catedral de Santa Maria de Toledo começou a ser construída no século I por São Eugênio, depois foi transformada em mesquita durante a invasão árabe. Retornada pelos cristãos, foi reconstruída em estilo gótico entre os séculos XIII e XV.

O coração da cidade pulsa forte na Plaza del Ayuntamento, onde se localiza a sede da prefeitura com duas torres simétricas. O conjunto formado pela Ponte de Alcantara e Puerta de Doce Cantos tem uma vista impressionante e inesquecível de Toledo. O mirante do Paseo de San Cristobal também oferece uma vista maravilhosa da cidade e do vale formado pelo rio Tejo.

O Monastério de San Juan de Los Reyes do século XV foi construído também em estilo gótico pelos reis que unificaram a Espanha, Fernando de Aragão e Isabel de Castilla, para comemorar o nascimento do sua filha. O ponto alto desse lugar é o teto do claustro.

Seguindo a Calle de San Martin, descendo a partir do Monastério de los Reyes, chegasse a Plaza de San Juan de Los Reyes, onde fica um dos pórticos que dão acesso à cidade de Toledo através da muralha e dos rochedos naturais que a protegem. O pórtico leva ao Paseo de Recaredo que nos leva até a Puente de San Martín, do século XIV, uma das estruturas mais impressionantes da cidade.

A Puerta de Bisagra foi construída durante a ocupação muçulmana de Toledo, e é possível identificar a arquitetura árabe do monumento e da muralha construída ao seu redor. Outra construção interessante é a Sinagoga de Santa María la Blanca, erguida durante o reinado cristão de Castela por arquitetos mudéjares, muçulmanos que permaneceram em território cristão. As lindas colunas brancas decoradas com arabescos são o destaque do lugar.

Seja sob a luz do sol ou no silêncio da noite, passear pelas ruas e vielas estreitas de Toledo é como retornar no tempo e entrar em um mundo cheio de mistérios e lendas. E elas não faltam em Toledo. Vamos conhecer três das mais de cem lendas que a cidade inspirou.

O bracelete dourado

A lenda conta a história de María Antúnez, mulher caprichosa que sempre quis usar as melhores roupas e jóias para atrair a atenção dos moradores de Toledo. Dizem que seu amante, Dom Pedro Alfonso de Orellana, a encontrou chorando uma tarde. Ela confessou que, ao visitar a catedral , ela se apaixonou pelo bracelete que a imagem da Virgen del Sagrario trazia em seu pulso. Para agradar sua amada, Don Pedro cedeu ao seu pedido e roubou a entrar a preciosa jóia.

Quando ele tentava sair da catedral, todas as estátuas desceram das suas bases e cercaram-no, juntamente com os esqueletos da cripta. Na manhã seguinte, quando abriram o templo, encontraram Don Pedro, deitado no chão, completamente louco, erguia o bracelete com a mão e gritava: É seu! É seu!

A dama dos olhos sem brilho

A Duquesa da Sabóia, Catalina da Áustria, preparou uma grande festa em sua casa com a presença de muitos nobres. Um dos convidados era Don Sancho de Córdoba, o conselheiro financeiro do rei. No meio do jantar, Don Sancho podia ver como uma senhora, vestida de branco e uma beleza mágica se movia entre os convidados sem olhar para eles. Depois do jantar, aconteceu uma baile nos jardins. Don Sancho pediu para que a dama dançasse com ele Ela aceitou, mas nenhuma palavra saiu de sua boca.

Quando soou o toque das almas na catedral, a senhora insistiu para ir embora com pressa. Don Sancho ofereceu-se para acompanhá-la até a casa dela. Ela recusou dizendo que seus pagens a aguardavam na saída. Então o cavalheiro insistiu para que ela aceitasse pelo menos a sua capa. A senhora aceitou alegremente a oferta de Don Sancho e disse que, para recuperar o manto deveria ir no dia seguinte ao palácio dos Condes de Orsino. Quando ela disse adeus, Don Sancho percebeu que seu olhar parecia não ter brilho e sua pele estava mais fria do que a noite.

Na manhã seguinte Don Sancho foi ao palácio pronto para pegar a capa. Ele bateu na porta e um servo abriu o enorme portão. Disse que venha para pegar a capa deixada com a jovem senhora que morava lá. O velho servo lhe disse que alí não vivia qualquer mulher e que a senhora que ele descrevia estava morta há vários anos.

Na manhã seguinte, enquato Don Sancho sofria com uma febre e suores constantes, alguém bateu na porta. Ao abrir, era o velho criado. Ele trazia a capa na mão e a entregou dizendo: – Encontrei esta capa pela manhã no cemitério, acima do túmulo da Condessa de Orsino.

O poço amargo

Essa é uma das lendas mais conhecidas da cidade de Toledo e fala do amor entre o cristão Fernando e da judia Raquel. O casal se encontrava sempre junto ao poço que existia no jardim da casa do pai de Raquel. Uma noite, quando ambos compartilhavam gestos de carinho, o pai da jovem apareceu e esfaqueou as costas de Fernando, que caiu no fundo do poço.

Raquel derramou tantas lágrimas nas águas do poço, a ponto delas se tornarem amargas. Uma noite, Raquel ouviu seu amor chamar seu nome. Pensando em resgatá-lo, Raquel também cai dentro do poço e dizem que ambos descansam juntos no fundo de suas águas.

Passear por Toledo é vivenciar as histórias e lendas dessa cidade cheia de encantos e mistérios.

Ronaldo Cooper
Nasceu em Porto Alegre, é jornalista, roteirista, fotógrafo e editor do blog VisualZine.
visualzine.blogspot.com.br

 

 

 

 

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