No corre-corre dos dias, a gente investe pouco tempo em coisas que parecem sem importância. Nos concentramos apenas naquelas coisas ‘grandes’ como as contas para pagar, as roupas para lavar, toda tarefa cotidiana que a gente tem, que não é coisa pouca. Mas tem uns detalhezinhos tão pequenos que podem parecer menos importantes, mas não são.

Um exemplo é o cuidado com quem mora com a gente, seja mulher, marido, filhos, pais, irmãos, amigos… A gente que divide espaço com alguém se esquece de cultivar as relações com esses companheiros de jornada e acaba, muitas vezes, só conversando sobre as tais coisas importantes.

Mas é muito gostoso para a vida quando, por exemplo, a gente acorda e a mesa do café está posta. Ao lado da xícara, um bombom. Quando você vai ao banheiro de manhã, com a cara amassada, é fácil abrir um sorriso se tem um escrito carinhoso de batom no espelho. Se não tiver batom, tem pincel atômico. Vale qualquer negócio.

Ligar da rua, mandar uma mensagem falando uma coisa gostosa no meio da tarde, não tem preço! É uma daquelas coisas ‘desimportantes’, que não pagam nossas contas, mas que enchem o dia de alegria. Mandar um bilhetinho dizendo: – fiz uma sopinha gostosa, tá em cima do fogão. Aproveite o frio! – Ah que coisa boa! Simples, singela, mas de um valor imenso.

Pense qual foi a última vez que você dedicou a alguém um carinho assim? E o carinho volta na mesma moeda: a gente ganha um sorriso, uma energia boa que reverbera dentro de nós. Na verdade, presentear é até mais gostoso do que ganhar o presente, não é? E não é preciso gastar muito tempo nem dinheiro com essas ‘desimportâncias’.

Na minha casa, por exemplo, tenho enfeites que ficam numa estante e que, de vez em quando, são colocados na mesa do almoço, um ao lado de cada prato. A primeira reação é a estranheza: – o que que isso tá fazendo aqui? Daí, depois da explicação – pus para seu lugar de almoçar ficar mais bonito, te amo! – um sorriso desconcertado.

É assim que a gente ama, no pequeno do dia, nas ‘desimportâncias ‘ poéticas, amáveis, carinhosas. Nesse friozinho então, parece que esses carinhos aquecem a alma, tornam a vida dentro de casa mais gostosa, a convivência colorida.
– Fiz uma sopinha hoje, tá no fogão, você quer?

Célia Rennó
Jornalista, autora de 4 títulos da coleção Ludo Ludens, da Editora do Brasil, e gosta de pensar, falar e escrever sobre o comportamento humano e suas idiossincrasias. Trabalha com Educomunicação há alguns anos e nunca se aquieta. Está sempre inventando um jeito de se comunicar!

 

 

Ilustração daqui: https://www.elo7.com.br/topo-de-bolo-carinho-coracao/dp/45178D

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