Uma das maiores estrelas do teatro brasileiro recebe uma homenagem que tem tudo a ver com sua intensa trajetória pelos palcos do Brasil e do mundo. “Bibi, uma vida em musical” é um espetáculo perfeito para contar histórias e momentos marcantes da vida da atriz, cantora e diretora, Bibi Ferreira, incansável, intensa e ativa aos 95 anos.

Bibi nasceu num tempo em que o ator não era respeitado e nem reconhecido como profissional. Mas esse detalhe pouco importante para a filha da bailarina Aída Izquierdo e do ator Procópio Ferreira, um dos responsáveis pela profissionalização do ofício no país. E ela resolveu desde cedo viver intensamente a arte de interpretar.

Agora ela se vê transformada em personagem teatral. A merecida e interessante homenagem “Bibi, uma vida em musical”, estreou no Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro. O espetáculo criado por Artur Xexéu e por Luanna Guimarães em sua homenagem, compõe um retrato do teatro brasileiro e dos 76 anos de carreira da atriz.

Amanda Acosta interpreta Bibi Ferreira. Foto: Guga Melgar

Com direção de Tadeu Aguiar, o musical revela como e porque Bibi se tornou a pessoa que é, uma atriz-cantora dedicada à cena e à plateia. O espetáculo é guiado por três narradores e uma série de personagens, envolvendo 19 atores e oito músicos. Juntos, eles reconstroem histórias pessoais e profissionais de Bibi, vivida por Amanda Acosta, estrela de muitos musicais e da versão exibida em 2006 de “My Fair Lady”, que na década de 60 foi um dos grandes destaques da carreira de Bibi.

As cenas são embaladas por clássicos da sua trajetória teatral, como “Gota d’água” e “La vie en rose”, além de canções originais criadas por Thereza Tinoco, idealizadora do projeto ao lado da produtora Cláudia Negri.

Dividido em dois atos, o musical começa a narrar a história da artista antes do nascimento, mostrando quem era sua família — pais, tios e avós, todos ligados ao circo e ao teatro. É no picadeiro familiar dos Irmãos Queirolo que Bibi surge pela primeira vez em cena, aos 24 dias, substituindo uma boneca de pano que havia sumido.

Depois, aos 4 anos, na Espanha, passa a animar os entreatos das peças da Companhia Velasco, dedicada ao teatro de revista, da qual sua mãe participa após se separar de Procópio.

A estreia profissional, no entanto, ocorre no Brasil, junto ao pai, em 1941, quando protagoniza “La Locandiera”, de Carlo Goldoni. Sempre precoce, no ano seguinte monta a sua própria companhia, que reúne lendas como as atrizes Cacilda Becker e Maria Della Costa, além da diretora Henriette Morineau.

Bibi também é uma das primeiras mulheres a dirigir teatro no país. Assina a estreia, em 1954, de “Senhora dos Afogados”, de Nelson Rodrigues. E torna-se a principal atriz de musicais no Brasil, em obras como “My Fair Lady” (1964) e “Alô, Dolly” (1965).

O segundo ato começa com o início da ditadura militar, no mesmo 1964 em que chega ao Rio o dramaturgo paraibano Paulo Pontes. É com Pontes que Bibi estabelece a mais intensa parceria amorosa e artística da sua vida, que resulta em obras como “Brasileiro, profissão: esperança” (1970), com Ítalo Rossi e Maria Bethânia em cena; a versão brasileira para o “O Homem de La Mancha” (1972), com letras de Chico Buarque; e finalmente a criação de “Gota d’água” (1975), de Pontes e Chico Buarque, considerado até hoje um dos maiores feitos teatrais de Bibi, somente igualado aos seus 35 anos de relação com as histórias e canções de Edith Piaf.

A trajetória pessoal e profissional dessa estrela brasileira só poderia ser contada e celebrada levando para o palco o próprio palco, das companhias de comédia, do teatro de revista, dos grandes musicais e do teatro engajado em que ela atuou. É espetáculo para não perder.

“BIBI, UMA VIDA EM MUSICAL”

Oi Casa Grande
Av. Afrânio de Melo Franco 290, Leblon. Rio de Janeiro.
Fone: 21 – 2511-0800
Quinta e sexta: 20h30m
Sábado: 17h e 21h
Domingo: 19h.
Até dia 1 de abril.
Ingressos: R$ 50 a R$ 150.
Classificação:10 anos.

Ronaldo Cooper
Nasceu em Porto Alegre, é jornalista, roteirista, fotógrafo e editor do blog VisualZine.
visualzine.blogspot.com.br

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