Arte e Astrologia dialogam entre si através dos mitos, dos arquétipos e dos símbolos. São expressões do inconsciente coletivo, linguagens universais compartilhadas por toda a humanidade.

No início da história, a arte retratava os deuses. Os antigos perceberam que os movimentos dos astros celestes influenciavam o clima, as marés e os ciclos da natureza, fazendo sua imaginação, sua arte e espiritualidade aflorarem. Com o tempo, a mística desses povos primordiais foi ganhando refinamento. Mitos, religiões e crenças tomaram conta dos corações e mentes, reforçando cada vez mais a observação do céu.

Figuras Venusianas da Era Paleolítica europeia

As antigas civilizações como as que surgiram na Suméria, Babilônia, Caldeia, Índia, Pérsia, Egito, Grécia e Roma deixaram um legado artístico profundamente inspirado em suas descobertas astrológicas e a influência desta em seu mundo místico. Assim, a história da Astrologia se mistura com a história da arte e da mitologia.

Ao longo dos séculos, a Astrologia influenciou e inspirou o pensamento e a criação de filósofos, cientistas e artistas. Obras de arte, encenações teatrais, textos da literatura e composições musicais traduziram o sentimento e a inspiração promovidas pela Astrologia.

Todos conhecem a importância da arte e da mitologia gregas, fonte de inspiração para artistas renascentistas e seu paralelo com os arquétipos da Astrologia. Uma das obras mais famosas do mundo é O NASCIMENTO DE VÊNUS, de Sandro Boticelli, em exibição na Galeria Uffizi.

O zodíaco de Dendera é um baixo-relevo egípcio do teto do pórtico de uma capela dedicada a Osíris no templo de Hathor em Dendera, contendo imagens de Touro Libra. A capela foi iniciada no final do período ptolemaico e o pórtico foi adicionado pelo imperador Tibério. O relevo é reconhecido como o único mapa completo de um céu antigo. Ele representa a base na qual os sistemas de astronomia posteriores foram baseados e está em exibição no Museu do Louvre, em Paris.

William Shakespeare é um dos escritores que demonstrou todo o seu fascínio pelo céu e seus fenômenos e apresentou essa visão na maioria de suas peças teatrais. Em seis de suas peças os signos do zodíaco são mencionados e os planetas são responsabilizados até mesmo por desastres. Mais detalhes aqui: A ASTROLOGIA NAS OBRAS DE SHAKESPEARE.

Escrito pelo astrólogo Pedro Tornaghi, o livro “Leonardo Astrólogo” (Ed. Bertrand Brasil) propõe uma interpretação única do famoso quadro “A Última Ceia” de Leonardo Da Vinci. Na tese defendida pela publicação, a pintura é um grande tratado astrológico. Deste modo, cada apóstolo ao lado de Cristo representa um signo do zodíaco. De acordo com Tornaghi, a forma como o genial artista italiano no século 15 retratou a posição do corpo, o movimento das mãos e a expressão do olhar de cada membro da Santa Ceia se relaciona com os arquétipos dos 12 signos do zodíaco.

Mestres relojoeiros tchecos construíram o famoso Orloj, um relógio astronômico medieval, localizado em Praga, montado na parede sul da Prefeitura Municipal da Cidade Velha. O relógio é composto um mostrador com a posição do Soil e da Lua e vários detalhes celestes, da ”Caminhada dos Apóstolos”, um show mecânico representado a cada troca de hora com as figuras dos apóstolos e outras esculturas e um mostrador-calendário com medalhões representando os signos.

Belas litografias de Salvador Dali ilustram os 12 signos do zodíaco. Foram criadas em 1967, como uma série limitada de 250 cópias de cada. Vejam as ilustrações de todos os signos aqui.

Fernando Pessoa também era astrólogo e elaborou o mapa astral dos seus heterônimos, delineando suas várias personalidades. Por exemplo, em seu trabalho “Mar Portuguez” ele escreveu doze poemas correspondentes aos 12 dignos do zodíaco. Em sua casa em Lisboa (que hoje é um museu), podemos admirar os mapas astrológicos de seus heterônimos desenhados nas paredes.

Até hoje a Astrologia serve de inspiração para muitos artistas: poetas, músicos, pintores e ilustradores. Muitos astrólogos (como Lis Greene) defendem que a própria Astrologia é uma arte, ao invés de uma ciência ou um sistema de crenças religiosas.

Mas o que, então, é arte? O artista faz a mediação entre diferentes dimensões da vida. As imagens, sons, palavras e formas que o artista utiliza são linguagens que comunicam padrões significativos de níveis de realidade que seriam incompreensíveis ou incomunicáveis para uma mente racional. Quando somos afetados pela arte, é porque o trabalho nos fala em muitos níveis: intelectual, intuitivo, emocional, visceral, etc. Os símbolos da Astrologia nos tocam em tantos níveis diferentes que nunca é possível esgotar seu mistério. Essa é a natureza dos símbolos e a Astrologia é uma linguagem simbólica.

O zodíaco e o sistema planetário no teto da biblioteca da Niebieski Dom (Casa Azul) – Wrocław, Polônia.

A arte da Astrologia, de fato, exige clareza intelectual. Mas igualmente, requer empatia, intuição, imaginação, perspectiva e experiência. De acordo com Jung, os mitos e sua simbologia interagem com nossas vidas por meio de um processo chamado “sincronicidade”, garantindo significados e insights. Por tudo isso, concluímos dizendo que Astrologia e Arte são linguagens da alma.

O Zodíaco por Ernest Procter, 1925. Óleo sobre tela.

Era astrólogo ou simples poeta?
Era o vidente do ar.
Tinha uma loja azul-cobalto,
claro céu dentro do bazar.
Teto e paredes só de estrelas:
e a lua no melhor lugar.

Sentado estava e tão sozinho
como ninguém quis mais estar.
Conversava com o céu fictício
que em redor fizera pintar.
Que respostas receberiam
as perguntas do seu olhar?

(Dentro da tarde inesquecível,
houve o céu azul num bazar,
perto da alvura da mesquita
na fresquidão de Tchar Minar.
Viu-se um homem de além do mundo:
era o vidente do ar!)

Cecília Meireles | “Poemas Escritos na Índia”, 1953

Marcelo Dalla
Formado em Comunicação pela ECA – USP.
Estuda astrologia há 30 anos e atua profissionalmente como astrólogo no Brasil e em Portugal há 10 anos.
Especializado em Astrologia Cármica, Terapeuta Florais de Bach e Xamanismo. Artista gráfico e criador de mandalas.
Publicou em Portugal os livros MANDALAS MÁGICAS e MANDALAS SIGNOS DO ZODÍACO, ambos pela editora Verso de Kapa.
Mantém uma coluna diária de astrologia no portal ASTROCLICK e coluna semanal no site
www.marcelodalla.com

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