Uma exposição no MAM de São Paulo reúne a obra de uma das mais importantes artistas do século XX e comemora os cem anos do Modernismo no Brasil.

Ao contrário do que nos acostumamos a imaginar, não foi a Semana de Arte Moderna de 1922 que iniciou a renovação nas artes brasileiras. Cinco anos antes, uma exposição individual de Anita Malfatti apresentava o estilo modernista aos brasileiros, abria seus olhos e mentes para novos rumos.

Anita aprendeu a pintar com a mãe, mesmo com uma atrofia no braço e na mão direita. A educadora Márcia P. Browne, assessora de Caetano de Campos na reforma do ensino em São Paulo, ajudou a menina no uso da mão esquerda.

Em 1910, ela acompanhou as primas em uma viagem à Europa, frequentou aulas no ateliê do pintor Fritz Burger e estudou na Academia Real de Belas Artes em Berlim, onde se aproximou do estilo Expressionista e viveu por quatro anos a efervescência nas artes europeias.

O Jardim, de 1912

De volta ao Brasil, realiza a primeira individualmente e esperou por uma bolsa de estudos e voltar à Europa, mas seus planos foram interrompidos com o início da Primeira Guerra Mundial. O tio financiou uma nova viagem para os Estados Unidos, onde morou por dois anos e estudou na Art Students League.

O Farol, de 1915

Em 1917, apresentou 53 quadros na segunda exposição individual. Cercada de polêmica e indignação, a exposição é o marco inicial do modernismo no Brasil. Monteiro Lobato publica no O Estado de São Paulo o texto “Paranoia ou mistificação?”. Com o título “A Propósito da Exposição Malfatti”, Lobato diz que Anita pertencia a outra espécie de artistas “…formada pelos que veem anormalmente a natureza, e interpretam-na à luz de teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica de escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura excessiva”.

Ela sabia que causaria impacto na provinciana São Paulo com arte influenciada pelo Expressionismo e outras vanguardas. A própria mãe e o tio ficaram chocados quando viram o que aflorou em Anita. Mas a defesa e o incentivo de amigos como Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Menotti Del Pichia fez surgir a ideia de um movimento modernista.

A Estudante, de 1915/1916

Em 1922, a artista participou da Semana de Arte Moderna com 22 obras. Depois, volta à França onde permanece por cinco anos e realiza exposições em Paris, Berlim e Nova York.

Chinesa, Detalhe, de 1921-22

Em seu retorno, Anita encontra um ambiente artístico diferente, os pioneiros do modernismo evoluíram, novos artistas, ideias e movimentos abriam caminhos diversos. Dizem que sua produção diminuiu e seu estilo ganhou simplicidade. Após a morte da mãe, Anita foi viver em sua chácara em Diadema, onde morou até sua morte no dia 6 de novembro de 1964.

Anita Malfatti no MAM-SP

O Jardim, de 1912, Meu Irmão Alexandre, de 1914, A Estudante Russa e O Farol, ambos de 1915, O Japonês, A Estudante e Nú Cubista Nº 1, realizados entre 1915 e 1916, Tropical, de 1916, Chinesa 1921/22, Retrato de Mário de Andrade III, de 1923, Mulher do Pará (no Balcão), de 1927 e Liliana Maria, retrato realizado entre 1935 e 1937, são alguns destaques da criação artística de Anita Malfatti. Estas são alumas das obras que você pode ver na exposição que o Museu de Arte Moderna de São Paulo apresenta até o dia 30 de abril.

Anita Malfatti: 100 anos de arte moderna

Curadoria: Regina Teixeira de Barros
Visitação: 8 de fevereiro até 30 de abril de 2017
Entrada: R$ 6,00 – gratuita aos sábados
Local: Museu de Arte Moderna de São Paulo – Grande Sala
Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, s/no – Parque Ibirapuera. Portões: 2 e 3
Horários: terça a domingo, das 10h às 17h30
Permanência até as 18h
T +55 11 5085-1318
atendimento@mam.org.br

Ronaldo Cooper
Nasceu em Porto Alegre, em 1962. É jornalista, roteirista, fotógrafo e criador do blog VisualZine.
visualzine.blogspot.com.br

DEIXE UMA RESPOSTA